Escarafunchar

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“É sempre isso, o escarafunchar da causa de todas as causas: uma história de amor mal acabada (ou não acontecida), um salário que não chega ao final do mês, uma roupa menor ao tamanho, uma doença que chegou levando a saúde do sorriso, um político disfarçado de boas intenções, um amigo que deu as costas quando deveria estender as mãos, um sonho apagado por falta de empenho e apoio, um desencorajamento frente a uma realidade dura que não dá tréguas. Vai-se o inverno, chega o verão e o círculo vicioso das motivações é reinaugurado. Olho pelo alpendre e penso “quiseramos nós ter mais dias de amores correspondidos, fartura material à medida das necessidades e confortos, o corpo equilibrado com a mente e ambos nutrindo a alma, políticas públicas de atendimento. Sonhos novos, revigorados em estações bem definidas”. Mas não. Na sucessão, a soma de todos os dias é essa espremida entre o sonhado e o real. O bélico. A estrada longa e os passos encurtados. É esse constante correr atrás do vento em busca de melhores ares.”

(Adriana Araf)

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