Um ainda

 

“É um castigo ainda gostar de ti. A mente diz não. O coração diz sim. E minh’alma, esgotada, me abandona.

Dotada de esperteza, na verdade ela abandona esse conflito causado por essas ordens mentais descumpridas por um emocional carente e falido. Ela abandona para não sofrer o real sofrimento da minha prisão. Escapou de correntes grossas que impedem a minha liberdade nos meus dias cada vez mais doloridos, que me causam crateras enormes. Sou renovada às avessas por buracos quando luto para não pensar, não me furtar, não me enfurecer com sua ausência.

Em intervalos cada vez mais raros de serenidade, reflito se voltarei a ter a mim sem rachaduras, sem cicatrizes. E, deles, me sobram pedidos de cura.

Preciso de um não contra o que ainda me castiga, que é viver você sem vida em mim. Um não absoluto. Um não racional curto e grosso. Preciso me reintegrar à sociedade e deixar esse quarto pequeno com um silêncio perturbador. Preciso que meu coração bobo volte a ser inteligente com as pedagogias sentimentais frustradas e aprenda as lições daquilo que até agora não foi absorvido. Preciso, na verdade, que o impossível aconteça.”

(Adriana Araf)

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