Tardança

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“(…) longas manhãs te esperei segurando uma xícara de café quente na vã tentativa de aquecer aquela dolorida tardança. Longas tardes olhei o difuso horizonte esticando meu turvo raio de visão para buscar ver o que meus olhos necessitavam enxergar. Longas noites passei vagueando pela casa, de um cômodo para o outro, até adormecer com a roupa do corpo embrulhada por um intenso cansaço emocional. Tudo por ti. Uma dedicação insana. Manhãs cálidas, tardes chuvosas, noites gélidas. Dias e dias sendo sacrificados por nada. Nenhum movimento. Nenhum aceno. Nenhum elogio ou aroma. Nenhuma carta ou bilhete. Flores murchas, cachorro sem latido e as mesmas vestes esgarçadas compondo meu corpo inanimado. Nenhuma energia. Nenhum retorno. Tudo mudo e sem piedade. Foi-se o trabalho, acabaram-se todas as comidas da despensa. Os vinhos viraram uma soma de garrafas vazias, com bordas marcadas de vermelho, abandonadas no átrio da casa (…)”

Adriana Araf

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