Sobre despedidas

Resultado de imagem para dor da perda de uma mãe

“Nenhum adeus é dado com alegria quando a morte o exige. Mesmos nas severas doenças, ele dói. O “virar-se de costas e seguir” no vácuo é ato duro, cortante, comando obedecido pelo corpo sem qualquer consulta à alma que, para aquele momento forçoso de soltura de mãos, refuta-se fora dele. Falta ar, falta presença, falta fala, falta consolo. Sem escoras, falta-nos tudo. Apenas se segue para tornar o ato da despedida cada vez mais longe, cada vez mais fora do alcance das vistas, cada vez mais para se submeter a um processo de atemporal cicatrização que a necessidade faz brotar por cima de buracos profundos. Dá-se um passo de pele nova e tropeça-se dois nas cavidades das lembranças. Por mais que se ouça de muitos “segue, porque a vida é assim“, há um silêncio bruto cinza devastador. E sobram culpas, medos, inseguranças e uma amargura contínua fininha pelo que não se poderá mais viver. Falta rotina, sorrisos, ambientes cheios, presentes, divergências e cadeiras ocupadas. Falta barulho. A morte tem um som próprio. Cria labirintos eternos. É desordem, é tristeza pura, é voz que não chega do lamento que não sai. É uma ausência brutal.”

Adriana Araf

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