Quisera

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“Quisera você me querer como eu te quero. Seria tão mais descomplicado. Eu colocaria sorrisos em seu rosto ao me ver passar, ficaria feliz a uma simples notícia sua, teria dias mais calmos e noites menos insones. Aliás, não trocaria o dia pela noite e nem viraria um escravo de pequenos objetos que reproduzem acenos e vozes. Tomaria chás longos contigo, teria um coração aquecido por sensações inconfundíveis. Pararia o tempo quando um beijo me fosse roubado e sairia por aí mais satisfeito por ser amado nessa arduosidade que é viver a vida à espera que algo aconteça para te trazer de volta. Seria mais sensato. Mais esperançoso. Mais amplo. Penso que haja algo de enlouquecedor entre o que eu quero, entre o que existe e o que não acontece. O pior talvez esteja reservado ao que não acontece, pois o que eu quero de certa forma me nutre, conquanto desejar abastece a vida; o que já existe é uma ardilosa realidade irrigada com insatisfações e incômodos transformados em sorrisos parcos e desenergizados. Ah, mas o que não acontece, isso sim me encabula, me desgosta. Eu sofro mansidões de expectativas. Quisera você acontecer como eu quero que aconteça. Seria tão mais fácil.”

(Adriana Araf)

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