Mais além

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“Praças já namoraram mais a seus bancos do que muitos casais em prantos. Ruas escuras já suportaram mais corpos perdidos no frio do que os poucos albergues públicos. Escolas coloridas já foram muito mais manchadas por desesperança do que filas intermináveis pela longa espera por saúde. Pontes à míngua gemeram o crescimento de suas ferrugens mais do que as gentes dos cantões inalcançáveis. Estradas em meio a verdes paisagens foram mais cemitérios do que outros campos silenciosos no final das avenidas nas cidades do interior. Águas foram terrivelmente sufocadas com doenças muito além do que as queimadas, quando aquelas tiveram que levar em suas veias a morte ao invés de vida. Mães já choraram os seus filhos muito mais do que o mar em suas fortes tempestades. Livros já resistiram mais ao tempo do que o tempo por ele mesmo.”

(Adriana Araf)

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