Um dia você…

Um dia você não vai acordar para fazer as coisas que você quer.

Pode parecer trágico, mas não é.

É uma certeza que você deveria prestar muita atenção, já que você tem acordado todos os dias com tempo suficiente para esgotar todas as suas vontades.

(Adriana Araf)

 

Cotidiano e sabores

Seduzida por cores e sabores, parei hoje numa frutaria de rua. De leve, a cativante frase do dono, o Amadeu: “Pode escolher o que quiser; aqui tudo é docinho”. Naquela curta passagem, quis que a minha vida fosse aquela barraquinha azul, onde tudo era “docinho”.
E comi um adocicado pedaço de melancia, que derreteu-se demoradamente pelos meus lábios.
Momento simplório, momento bom.
As frutas doces escandalizam nosso paladar e, com certeza, aguçam nossos outros sentidos.
Sugestão: pega alguém bem docinho para um momento açucarado desses com você…”

Novembro…

“A alma de muita gente é uma coisa assim disposta, com janelas  para todos os lados, muita luz e ar puro. Também há as fechadas e escuras, sem janelas ou poucas e gradeadas, à semelhança dos conventos e prisões. Outrossim, há como aquelas das capelas e bazares, simples alpendres ou espaços suntuosos. Não sei o que era a minha.”

(Dom Casmurro, Machado de Assis)

 

A Queda

Ganhei o livro “A Queda”, de Diogo Mainardi.
Como adoro viajar, livros são ótimas passagens, pois têm o poder de nos transportar de imediato, sem mesmo sairmos do lugar.
Livros falam conosco intensamente. Embora adotando um diálogo silencioso, calmo, livros provocam inquietudes internas.
Livros que nos tocam nunca geram monólogos, pois falam com as nossas almas e essas respondem por nós, como porta-vozes de nossas emoções mais profundas e secretas.
Livros nunca nos deixam sozinhos.
Livros e músicas, na verdade.
E, se a obra lida os associa, quando livros se transformam em música para nossa sensibilidade, há um duplo transporte.
Ficamos melhores com leituras que mexem com nossa emotividade.
Com esse livro de Mainardi, de 150 páginas, ao que chego à 36 agora, foi assim. Choro com ele por meia hora e depois por mais uma. Chorarei por mais cinco somadas até o final.
Cada página um percurso, uma alameda visitada, uma sutil fisgada em meu peito de como as coisas tomam rumos contrários aos nossos planejados e arrogantes ventos e revelam o melhor de nós para nós mesmos nas fases difíceis, que atuam como se o destino fosse um amigo pedindo ajuda e você, em sua maior dosagem de doação, estendesse a mão e o atendesse, sem perguntar nem onde, nem porquê, muito menos como.
Uma frase dele que pode te ajudar aí em sua missão, pois se Mainardi foi, está sendo e vai ser testado, você também o será. Eu também. Nós todos, na verdade, aliás ninguém será exceção pelo simples fato de estarmos aqui, nus no comando de nossas próprias vidas:
“saber cair (e se levantar) tem muito mais valor do que saber caminhar.”

Você acredita em milagres?

Você acredita em milagres?

Você acredita em milagres.

Se você acredita, milagres acontecem.

E como milagres acontecem, você é um deles.

Jogo vespertino de palavras?

Não, apenas conclusão de tantas maravilhas que te acontecem (mas, que você, no fundo, presta pouca atenção)

(Adriana Araf)

 


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