Trabalhe sua intuição e suas emoções, ainda que estejas passando por períodos extremamente exigidos.

Como? Silenciando a sua alma, os seus anseios, e não tentando ser clarividente.

(Adriana Araf)

 

As noites deveriam chegar em forma de beijo.

Assim ela nos beijaria e adormeceríamos, tranquilos, com a gostosa sensação de sermos amados.

Antes do raiar do sol, seríamos beijados de novo, como cinderelos e cinderelas num gostoso despertar…

(Adriana Araf)

O dia sempre ressurge.

Quer melhor recado como esse?

 

 

Em dias nublados, a noite tem um papel mágico.

Ela vem, joga seu tecido negro sobre tudo para que, ao descortinar do sol no dia seguinte, surja outro cenário com outras nuances.

(Adriana Araf)

 

 

 

Decidir

Não somos só, ao contrário, somos coletivo quase o tempo todo no emaranhado da existência, mas, muitas vezes, ficamos só, assim, completamente desnudos, singulares e ermos, frente às coisas da vida e das decisões que ela nos clama a tomar.
Sim, a vida quer decisões e respostas firmes em ocasiões variadas sobre pessoas, coisas e situações, e testa nossa tepidez. É nesse período do ficar só que nossa coragem é muito exigida e nossos medos passam por momentos bélicos internos tremendos para que consigamos ficar em pé do lado de fora. Que nossa resistência sofre uma espécie de teste de imunidade para ver se aguentaremos o que virá. Que nossa carência de forças tem que ser robustecida contra uma grande vontade de fraquejar. Fraquejar pode ser o caminho mais fácil, menos espinhoso, menos doloroso, menos exigente, mais poupante, todavia nossa fraqueza consome nossas vontades mais verdadeiras e nos mantém na mesmice do que não queremos, mas que aceitamos de olho no dia seguinte, que poderá ser melhor. E são dias que nunca chegam, pois o sol da gente fica encoberto por nossas escuras aflições.
Como não adianta protelar, o melhor a fazermos é decidir, sentenciar e ter a grata surpresa de conseguirmos. Sim, na dúvida de como agir e o que fazer, acabamos por optar e ficamos mais aliviados (às vezes chorosos, e o choro é um oásis no deserto de nossas fases difíceis), o que gera uma sensação de uma alva alegria interior timidamente apontando para novos caminhos. Pode até ser um pseudo-alívio, mas já é alguma coisa fora da caverna fria e isolada que queremos nos manter.
Como reflete Guimarães Rosa, Deus tira coisas e pessoas para saber se já somos capazes da alegria sozinhos.
 
(Adriana Araf)

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