Trecho da obra Tarântula, de Dylan

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No lugar em que eu moro agora, a única coisa que faz
o bairro seguir em frente é a tradição — como você pode
imaginar — não serve pra muita coisa — tudo
à minha volta apodrece… não sei há quanto tempo isso
tem acontecido, mas se continuar desse jeito, logo

vou ser um homem velho — e eu só tenho 15 anos — o único
emprego por aqui é na mineração – mas Jesus, quem quer
ser um mineiro… eu me recuso a ser parte de uma
morte tão rasa — todo mundo fala da idade
média como se aquilo fosse realmente na idade média —
vou fazer o que for pra sair daqui — minha mente
está descendo rio abaixo — eu venderia minha
alma pro elefante — eu enganaria a esfinge —
eu mentiria pro conquistador… embora você possa
me entender mal, eu chegaria inclusive a
assinar um contrato com o demônio… por favor
pare de mandar relógios de pêndulo — chega de
livros ou de cestas de presentes… se você vai
me mandar algo, me mande uma chave — hei de
achar a porta onde ela se encaixa, mesmo que leve
o resto da minha vida…”

Para mais: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/livros/noticia/2016/10/conheca-os-livros-de-bob-dylan-7772538.html

 

Leiturazinha

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Lendo o pequeno “Pequena Escola das Emoções“, do alemão Anselm Grun, deixado por alguém (ou esquecido!) num banco de metrô. Muitos temas, muitas passagens, dentre elas uma abordagem sobre solidão e a oportunidade gerada por ela para crescimento. Citando Hesse, destacada foi a profundidade do poeta que examinou muito bem o tema “Viver é uma experiência solitária. Nenhuma pessoa conhece de fato a outra. Cada qual está sozinho”. Positivamente vista, caminhar assim te força a um deslocamento para dentro de si mesmo e conduz a uma reformatação das emoções. Bem aproveitada, traz silêncio, revisões internas, descansos e uma busca ao sagrado. Estar sozinho e ser solitário. Há diferença? O escritor diz que sim.”

(Adriana Araf)

No café…

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“Naquele café de canto, discreto, com árvores enormes e pequenas mesas, os dois conversavam. Algo estava no ar. Não era apenas o aroma da bebida vulcânica sobre a mesa e nem a toalha bordada por alguém que dedicou dias naquela cambraia. Era uma nostalgia perceptível. A mão dela estava sobre a dele. O batom seria deixado naquela louça aos poucos. Duas cadeiras ocupadas por corpos com almas entrosadas. Ela usava delicadamente o guardanapo. Ele ria solto, cultuando cada palavra que saia daquela boca. Tudo muito repousante. Pausado. Bonito.”

(Adriana Araf)

O Brasil soará tamborim…

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“É carnaval: samba no pé – as mulheres desfilando nas pontas dos dedos, os homens gingando com seus calcanhares, brilhos pelas ruas, dias extensivos. Pandeiragem. E vem a mulata de quadril largo sorrindo lindamente em saltos mais do que altos, os sapatos brancos do malandro, as vinhetas, o trio, o cansaço revigorado por tantos dias de folia. O Brasil soará tamborim. As praias lotadas, os preços superfaturados, o swing nago. Depois vem a cinzenta quarta-feira, que colocará fim às fantasias, aos enredos já ultrapassados, com um papel e tanto de brindar a chegada ressaquiada da realidade adiada que foi por motivos multicoloridos. E, categorizado, anunciado está o amor de carnaval, com suas promessas não cumpridas, rostos não lembrados, casais deslocados que subiram do sul, desceram no norte e, numa atmosfera baiana, sob calores, se encontrarão enfeitiçados naquela mágica onda de veleidades. O movimento temporário é bem esse. Viva o carnaval e suas juras de amor  infinito, cuja durabilidade, descontadas as horas de aquecimento, terão 05 dias de eternidade.”

(Adriana Araf)

A Intuição é mais forte que a Razão

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“Devemos sempre dominar a nossa impressão perante o que é presente e intuitivo. Tal impressão, comparada ao mero pensamento e ao mero conhecimento, é incomparavelmente mais forte; não devido à sua matéria e ao seu conteúdo, amiúde bastante limitados, mas à sua forma, ou seja, à sua clareza e ao seu imediatismo, que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os seus propósitos. Pois o que é presente e intuitivo, enquanto facilmente apreensível pelo olhar, faz efeito sempre de um só golpe e com todo o seu vigor.
Ao contrário, pensamentos e razões requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, não se pode tê-los a todo o momento e integralmente diante de nós. Em virtude disso, deve-se notar que a visão de uma coisa agradável, à qual renunciamos pela ponderação, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um juízo cuja inteira incompetência conhecemos; somos irritados por uma ofensa de caráter reconhecidamente desprezível; e, do mesmo modo, dez razões contra a existência de um perigo caem por terra perante a falsa aparência da sua presença real, e assim por diante.
Em tudo se faz valer a irracionalidade originária do nosso ser.”

(Arthur Schopenhauer)

 


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