Uma bela e rara história humana

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Conheci a história surpreendente de um homem com alto valor. RENILDO, 35 anos, morador de São Paulo. Alguém que tem muito a ensinar, muito a estimular e um papel ímpar nesse mundo. Muito comovente tudo, confesso que fiquei tocada e talvez um dia procure conhecê-lo de perto para apertar as suas mãos e lhe dizer “Muito obrigado por me fazer melhor.”

Da leitura da história de vida de RENILDO, soube que, quando criança (tinha apenas 12 anos), ainda menino levou um tiro ao tentar pegar sua pipa no telhado de alguém que sequer se lembrou que um dia foi criança também. Ficou paraplégico. Com o passar dos anos, diante de tanta luta para viver, feridas pelo seu corpo geraram infecções e, sucessivamente, um câncer apareceu. Chegando aos órgãos vitais, com 15% de chance de sobreviver à cirurgia, os médicos e RENILDO decidiram por uma amputação significativa . Do umbigo para baixo, 40% de corpo foi sacrificado para que sua vida fosse preservada (pernas e bacia), ocorrendo a chamada hemicorporectemia. Esteve e continua numa batalha grande.  Atualmente testa uma prótese inédita e rara no Brasil, ao que vou pedir ao mais sagrado para que sua adaptação seja instantânea e traga para ele a mobilidade desejada. Sim, RENILDO quer voltar a trabalhar e fazer suas festas, pois é DJ. Isso também me tocou.

Na sensível reportagem feita pelo jornalista Jairo Marques, da Folha de São Paulo, RENILDO diz que está pequeno e que a prótese pode ajudá-lo a retornar ao ofício de alegrar os outros. Essa frase me fez refletir de novo. Para mim, RENILDO é tão grande que ainda vai entender o tamanho da sua força. Um exemplo. Maravilhou-me.

Para saber mais desse bravo homem http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/03/1865747-dj-passa-por-cirurgia-rara-retira-40-do-corpo-e-ja-testa-reabilitacao-inedita.shtml

Em paz

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“Daquele dia em diante, ela não mais se veria como uma mulher forte, capaz de suportar todas as adversidades. Estava cansada daquilo tudo e de forçar suas desgastadas energias. Ela apenas incorporaria em si e em suas atitudes o chamado “instinto de sobrevivência“, aquele princípio natural que todo ser vivo parece trazer em si e em sua conjuntura. Desde a raiz que busca água no mais profundo da terra, até os permanentes anticorpos que bloqueiam ações contrárias e ataques de todos os tipos. Ela, assim, estaria desarmada, mais leve,  mais em paz consigo mesmo. Deixaria palavras duras de lado, dores e medos, e adotaria o deixar passar como um processo da vida. Sairia caminhando por aí mais para se dar chances de renovação do que propriamente para aprender técnicas de defesa da crueldade do mundo. Não adotaria posturas alienadas, mas, de certa forma, evitaria rompantes e tentativas frustradas de conversões. Daria adeus àquelas auto-exigências. Atenderia mais a sua alma do que aos espíritos alheios. E remodelaria seus gostos e atitudes tomando como base os seus gostares e as suas alegrias. Deixaria de consultar os outros e a observar o que o seu coração dizia.”

(Adriana Araf)

Caminhar

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“O que é a beleza da vida, senão caminhar. E continuar. E andar pra frente. E ver luz. E buscar novos sentidos, novas sensações, novos aprimoramentos para se evitar falhas consecutivas sobre comportamentos repetitivos incidentes sobre situações um tanto quanto similares. Caminhar faz bem. Impulsiona o corpo, impulsiona a alma. Faz trocas amplas e necessárias. Permuta-se o que não mais serve por coisas que poderão servir. Numa única direção, mantida a postura, não há como escapar para os lados. O movimento mais adequado é manter o olhar para o que está sendo e poderá ser, admitindo-se intempéries e festejando as calmarias. Cuidar para que a poeira levantada não atrapalhe os passos e se convencer das forças dos pés. Não olhar para o que foi como foi e nem lamentar o que foi com um poderia ter sido.”

(Adriana Araf)

07 dias

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“Me dei 07 dias para esquecê-la. Sete. Desde o nascer do sol ao seu pôr. Desde a comida que irei comer sozinho até a paisagem que já vejo na janela e não tenho como mais lhe mostrar. Por que 07 dias? Número mágico, uma semana, um domingo ao outro, frase harmoniosa. Há tantos roteiros de viagem que duram isso e a pessoa sai feliz. Não sei direito. Não sei quase nada sobre apagar uma vida dentro de um período tão curto. Serão 07 dias negando lembranças, acordos, discussões e presença. Vou arrumar a casa, cuidar do cão, me entupir de filmes e ler algo nalgum lugar. Vou apagar memórias. Vou fingir, navegar em faz de conta, não vou me culpar, não vou beber e nem celebrar. Ao final, direi: “um milagre me aconteceu!”.

(Adriana Araf)

É preciso não esquecer nada

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“É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes,
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos
a idéia de recompensas e de glórias.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos
vigiados pelos próprios olhos tão
severos conosco, pois o resto de fato não nos pertence.”
 

(Cecília Meireles)


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