Postagens Vívidas

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“Muitas e muitas vezes somos o carteiro que entrega notícias nesse vaivém desuniforme da vida. De vestimenta amarela e azul imaginário, entramos na casa (leia-se na vida) das pessoas portando envelopes verbais e as informamos de coisas, fatos e ocorrências. Significativas ou não, somos portadores de emoções. Causaremos impactos profundos, se as notícias não forem nada boas, nada desejadas, nada aproveitadas. Propulsionaremos sorrisos largos e suspiros profundos, caso as informações sejam as mais belas possíveis, as mais saudáveis e as mais pretendidas já aguardadas. Um detalhe importante no desempenho desse ofício humano é a forma. De boa a má, a notícia sempre tem um formato. Procure empregar docilidade e dote-se de equanimidade nos comunicados. Isso porque os papéis de entregadores e receptores são bastante mutáveis. Um dia você é portador, noutro você é o receptor. E, geralmente, os conteúdos relevantes costumam ser quase os mesmos. Tenha mãos de veludo e voz grácil nessa arte da condução dos temas da vida na vida dos outros. Tão comuns a todos. Tão possíveis. Tão similares.”

(Adriana Araf)

Outonizar…

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“Era difícil dizer quando chegara ao certo o Inverno. Primeiro, ocorreu um arrefecimento das temperaturas noturnas. Depois, chegaram os dias de chuva ininterrupta, as rajadas desordenadas do vento atlântico, a umidade, o cair das folhas e a mudança das horas nos relógios. Continuavam a verificar-se, em todo caso, tréguas esporádicas, manhãs de céu limpo e luminoso, que permitiam que se saísse de casa sem agasalhos. Mas tratava-se de qualquer coisa como os sintomas enganadores da remissão de um paciente sentenciado à morte. O parque vizinho se transformou numa superfície desolada de lama e de água, iluminada apenas pelo clarão riscado da chuva nos postes públicos. Certa noite, quando o atravessava debaixo de um aguaceiro, veio-me à memória um dia de calor intenso do Verão anterior que, deitado no chão, tirara os sapatos e acariciara a relva com os pés descalços, enquanto o contato direto com a terra me trazia uma impressão de liberdade, fazendo-me sentir tão em casa no mundo como se estivesse em meu quarto.”

(Alain de Botton, A Arte de Viajar, 6ª. edição)

Ana Be’Koach

 

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Homocromia

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“Perdemos a capacidade de enxergar os detalhes. Isso é fato. Enxergamos com pressa extrema os fatos, os movimentos nas ruas, os clamores. O nosso olhar não mais sente o perfume das coisas. A singularidade delas. Perdemos a capacidade de acreditar. Precisamos de papéis, reconhecimentos de firmas. Tudo tem que ser em dinheiro, até o que não se compra. Precisamos de checagens. Perdemos a capacidade de simplesmente conviver com o outro, com o outrem, com o próximo. Estamos fartos da convivência familiar que requer paciência, da missão da divisão e da resiliência ambiental. Fraquejamos na simples arte de escutar. Estamos pobres no exercício do amor ampliado. Estamos esgotados de frustrações, do não realizado. Estamos vivendo açoitados numa sociedade fustigada e vencidos por tantas informações sem conteúdo e direção. Encontramo-nos vazios, transferindo para a vida as culpas de como a levamos. Estamos julgando rápido demais. Sem identidade, adotamos um mimetismo permanente. Estamos rasos em nossas profundidades.”

(Adriana Araf)

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“Vida diferente não quer dizer vida pior nem melhor; é outra coisa. A certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta; e, de memória, conservo alguma recordação. Em verdade, pouco apareço e menos falo. Distrações são raras. O mais do tempo é gasto em hortar, jardinar e ler; como bem e não durmo mal.”

(Machado de Assis)

 


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