O que podemos aprender sobre o valor das coisas

Li em um site sobre conteúdos financeiros. Penso que as palavras finais do artigo do executivo Mark Ford podem servir para a vida em si. Gostei. Sábias.

No resumo, preencha sua vida com experiências gratificantes e não com coisas. Tenha histórias para contar e não coisas para mostrar ou acumular.

Adriana Araf

“É um erro pensar como eu pensei quando era jovem. Só porque experiências terminam, não significa que o prazer que elas proporcionam terminará. O oposto parece ser verdade, pelo menos, com experiências intensas. Em geral, elas parecem proporcionar mais felicidade do que a compra de coisas materiais.

Segundo: a satisfação que se sente com a compra de bens materiais não está diretamente relacionada à felicidade. Você pode sentir que a compra de uma casa, de um barco ou de um carro foi boa, mas talvez ela não traga um pingo de felicidade à sua vida.

Terceiro: a quantia de dinheiro que você gasta em uma experiência não tem nada a ver com a felicidade que ela proporciona. Muitas experiências que não custam nada podem produzir dividendos duradouros.

Para ter uma vida rica é preciso ter uma mente rica. E a mente rica reconhece que nem sempre gastar dinheiro com coisas trará felicidade. A mente rica prefere gastar dinheiro em experiências, mas ela também reconhece que, quando o dinheiro é gasto em um objeto material, esse objeto pode trazer felicidade, se for usado e apreciado ao longo dos anos.”

Fonte: Site Criando Riqueza

Respeite a Você Mais do que aos Outros

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“Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias.

Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu, em que pese a dura comparação. Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante.

Uma amiga, um dia desses, encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante e que quando me encontrou agora se disse: ou essa calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível.

Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver”.

(Clarice Lispector, em Carta a Tânia)

A Chama da Vida e o Fogo das Paixões

Nem sempre estar apaixonado é bom. A maior parte das paixões tomam conta da vontade e assumem o controle do sentir e do pensar. Prometem a maior das libertações, mas escravizam quem desiste de si mesmo e a elas se submete.

A paixão é sofrimento, um furor que é o oposto da paz e do contentamento. Um vazio fulminante capaz das maiores acrobacias para se satisfazer. Mas que, como nunca se sacia, acaba por se consumir, por se destruir a si mesmo. Para ter paz precisamos de fazer esta guerra, na conquista do mais exigente de todos os equilíbrios: entre a monotonia de nada arriscar e a imprudência de entregar tudo sem uma vontade própria profunda. É essencial que saibamos desafiarmo-nos, por vezes, a um profundo desequilíbrio momentâneo. Afinal, quem nunca ousa está perdido, para sempre.

Há boas paixões. São as que trabalham como um fermento. De forma pacata, pacífica e paciente. Animam, mas não dominam. Orientam, mas não decidem. Iluminam, mas não cegam.

Quase ninguém faz ideia da capacidade que cada um de nós tem para suportar e vencer grandes sofrimentos.

Por paixões comuns, há quem perca a cabeça, o coração e a alma. Uma paixão forte que se consente pode fazer com que a mais digna das pessoas se destrua… se consuma, não ficando senão as cinzas em que ardeu. É preciso que saibamos cuidar do que queremos ser, mais do que do prazer que julgamos merecer. O nosso caminho deve ser decidido por nós, não por um qualquer impulso estranho à nossa vontade. Ser feliz passa por ser firme face às tentações do fácil e do imediato.

A verdadeira chama, aquela que nos ilumina, aquece e orienta, não é a das paixões, é a chama da vida. A vida ela própria, assim, simples e pobre na aparência. Aquela vida que tem consciência de que é, em si mesma, um dom. Uma luz. Um presente do divino. Uma presença divina. Não se trata de uma alegria de cumprir fantasias, antes sim da virtude suprema de saber apreciar os momentos da vida sem necessidade de ser sob a séria ameaça de a perder. Este é o único fogo que não consome.

O frio que por vezes sentimos na alma não é sinal de estarmos no caminho errado, apenas de que é hora de por à prova a nossa determinação.

A paixão aumenta a sua força à medida que crescem os obstáculos que se lhe opõem. Combate-se com a luz da razão e o calor do coração. Sem excessos nem violências. Apenas firmeza, sofrimento e paz.

Posso sofrer, mas não quero desistir de mim mesmo. Assim eu me saiba fazer maior do que as minhas dores. Mais forte do que as minhas paixões.

(José Luís Nunes Martins, em “Os infinitos do amor”)

Feliz Páscoa! Renove-se…

O intragável. O extraordinário.

Intragável é estar parado. Não mudar. Aguentar. Sobreviver. Permanecer. Mesmo que seja pouco, mesmo que seja insuficiente. Manter tudo como está apenas para não correr o risco de ficar pior.

Intragável é não perdoar. Não liberar. E só criticar, só atacar. E não criar, não refazer. não imaginar.

Intragável é não acreditar.

Intragável é o que não é maravilhoso, o que não é delicioso, o que não é fantástico, monumental, abençoado, miraculoso, espantoso.

Intragável é acordar para o dia e recusar o dia. a não querer o dia. a não amar o dia, e não pensar nas mil e uma maneiras de torná-lo inesquecível. Deixar estar. Não mexer. Não querer a ferida que se chega à cura. Ser cauteloso, prevenido.

Intragável é o que não é exagerado, o que não é desproporcional, o que não parece incomportável. Se não parece incomportável é insuportável. Não quero. Não admito. Não me admito.

Intragável é repetir. Hoje como uma réplica de ontem e como réplica do amanhã. As mesmas coisas, as mesmas palavras, os mesmos atos, os mesmos movimentos. Sempre igual. Sempre o mesmo.

intragável é continuar por continuar, andar por andar, viver por viver.

Intragável é o normal, o regular. O que nunca matou ninguém, mas também nunca mudou a vida de ninguém. O que não mexe nas entranhas. O texto que não se resolve, a decisão que não transforma, o beijo que não arrepia, o sexo que não faz gemer e saltar.

Intragável é não estar apaixonado por uma mulher, por um homem, por um gato, por um cão, por um sonho, por um trabalho, por uma casa, por uma pele, por um sabor, por um sonho, por um desejo, por um caminho, por um pecado. Apaixonado. Como um louco. Apaixonado. Inconsequentemente, desvairadamente. Sem parar. Apaixonado. Com toda as veias à procura de uma paixão, como todo o corpo à procura do prazer.

Intragável é o que não é extraordinário. E as coisas extraordinárias não exigem atos extraordinários. As coisas extraordinárias só pedem momentos fáceis. Tão ordinários como aconchegar um cobertor, partilhar uma sobremesa, dar um mergulho no mar, roubar laranjas da árvore do vizinho, passar a tarde a contar anedotas, ouvir as histórias dos pais, ir ao parque com os filhos, partilhar a mesa com os amigos. As coisas extraordinárias não exigem nada de extraordinário. E é precisamente por isso que são extraordinárias, como pessoas extraordinárias. Ah, as pessoas extraordinárias. Sou viciado em pessoas extraordinárias. Nas que conseguem feitos incríveis. Como fazem-me feliz, por exemplo.

Intragável é replicar, é gerundio. Vamos andando. O intragável é vai-se aguentando. Ir vivendo é o mesmo que ir morrendo.

Intragável é o normal. Eu exijo o extraordinário. E todos os que eu amo são extraordinários. Eu exijo o extraordinário. Sou feliz, meu Deus. Tão feliz. Mesmo quando dói, quando choro, mesmo quando custa, mesmo quando parece tão pouco isso tudo o que eu sou, isso tudo o que eu vivo, isso tudo o que eu preciso. Sou tão feliz. É tão extraordinário sentir-se assim, querer assim, existir assim. Até o final das vísceras, até o fundo dos ossos.

Intragável é não sofrer, não custar.

Intragável é o que não é demais. É só o que é demais é um erro.

Intragável é não errar, disso estou certo.

Mas o mais intragável é não amar.

(Pedro Chagas Freitas, em seu sensível Prometo Falhar)


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