Movimentos

“É verdade que não posso negar a sensação de que a vida me foi misteriosamente prolongada. Não se trata isso de vaidade. É que estou despida de ambições, algo como “despojei-me de mim“.  A vida é agradável, a vida é boa. O simples processo segundo o qual ela decorre, é satisfatório. A vida se movimenta e há sempre algo que tem que ser feito em seguida ao que se fez. À segunda, segue-se a terça. Depois a quarta e a quinta. Cada dia espalha a mesma onda de bem-estar, repete-se uma curva de ritmo. E é assim que o ser humano começa a fazer de novo os seus anéis; a identidade torna-se mais robusta. Aquilo que antes era um pequeno grão lançado ao ar e soprado de um lado para o outro pelas rajadas fortes da vida, passa agora a ser atirado de forma metódica, numa direção precisa, obedecendo a um objetivo. Meu Deus, que agradável. Meu Deus, que bom.”

(leitura pontual de As Ondas, de Virginia Woolf. A escritora, falecida em 1941, dominou a técnica  do denominado “fluxo de consciência”, em que seus personagens expõem os seus mais profundos sentimentos)

Almas desidratadas

“Tudo o oprimia. Era um desgosto sombrio: os seus pensamentos não eram senão aridez, deserto. Nenhuma fé, nenhuma esperança para sua sobra repousar e refrescar-se. Acreditava que tinha a alma cheia por comentários dos outros. Era impossível tirar dos seus olhos aquele olhar desanimado que se colocava entre ele e a vida. Agarrava-se à sua velha ideia fixa de ter um pouco de fé. Sentia-se sufocar, mas algumas vezes parecia contente. Os seus pensamentos eram confusos, contraditórios. E “todavia”, pensava num regresso brusco e desesperado à realidade. “Talvez isso dependa dos meus nervos abalados. Talvez não seja uma questão de dinheiro ou de tempo ou ainda de circunstâncias“, pensava. Mas, quanto mais se esforçava por reduzir, por simplificar o seu problema, tanto mais esse lhe parecia difícil e assustador. Sentia vontade de chorar; a floresta da vida cercava-o por todos os lados. Nenhuma luz brilhava ao longe.”

“Era preciso, apesar de tudo, continuar. Fizera, do seu novo quarto, a sua pequena comédia. O quarto era pequeno e modesto. Ela deixara no chão, como um fugitivo que se liberta, pedaço por pedaço da sua armadura para correr mais. Refugiava-se apenas com as meias, no canto mais quente e escuro. Ali ficava sozinha com seus protestos, com seu sorriso misterioso e amável.”

(trechos do livro “Os indiferentes”, do escritor italiano Alberto Moravia, cuja produção narrativa é muito rica)

Boa recomendação

Lendo Big Sur, de Jack Kerouac, um dos mais célebres escritores da Beat Generation, movimento surgido nos EUA, no final dos anos cinquenta, que pregava um estilo de vida alternativo, encontrei uma passagem suave que diz:

Deixemo-nos guiar pelo clima. Assim as preocupações frívolas se dissolvem…

Boa recomendação.

É o amor que nos ocupa

“É o amor que nos ocupa. Se há espaços, aqueles vazios existenciais, todos estão apenas aguardando ansiosamente a chegada do nobre sentimento. Arrume a sala interior da sua alma, deixe-a aconchegante. Uma batida na porta e pronto. Sem pedir licença, ele entra e faz a festa, sentindo-se completamente em casa como se nunca tivesse morado em outro lugar.”

(Adriana Araf)

A busca pela felicidade pode ser o contrário do que você pensa

Gostei do artigo:

Psicólogo de Harvard explica como a busca pela felicidade pode ser o contrário do que você pensa

Shawn Achor é um pesquisador da Universidade de Harvard especialista em investigar a conexão entre felicidade e sucesso. Ele acredita que as pessoas podem – e devem – ser felizes. E para isso criou o Goodthink Inc., onde ele divide tudo o que descobriu em mais de 12 anos de pesquisa de uma maneira prática e interativa. O psicólogo acredita que a felicidade não é consequência do que acontece no exterior, e sim da maneira pela qual enxergamos esses acontecimentos.

Ele usa os próprios estudantes de Harvard como exemplo. Apesar da felicidade por  entrar e estudar em uma das maiores instituições educacionais do mundo, pouco depois esse sentimento é totalmente engolido por problemas, dificuldades acadêmicas, reclamações, etc.

Dessa maneira, Shawn afirma que apenas 10% da nossa felicidade depende do mundo externo. Os outros 90% dependem exclusivamente da maneira como você enxerga a realidade. É como se tivéssemos uma lente que condiciona a maneira que o nosso cérebro lida com as coisas. E ele vai além, afirmando que apenas 25% do seu sucesso profissional depende da sua capacidade (QI, habilidades técnicas, etc.) Os outros 75% dependeriam do comportamental, ou seja, do seu nível de otimismo e da sua capacidade de enxergar desafios como aprendizados e não problemas.

Com esses exemplos, a conclusão é que devemos inverter alguns pensamentos que rondam o inconsciente coletivo e pessoal. Coisas como “se eu trabalhar muito, vou conseguir tal coisa e então serei feliz”. Até que você chega lá e descobre que a tal coisa não te trouxe a felicidade esperada.

E aí? Você precisa trabalhar a favor da felicidade, e não contra.

A dica do especialista para começar a programar seu cérebro nesse novo sentido é fazer alguns exercícios durante 21 dias consecutivos.

Coisas como: – Exercitar sua gratidão ao listar três coisas pelas quais você se sente grato todos os dias; – Escrever sobre pelo menos uma experiência bacana que você teve durante o dia; – Meditar e exercitar o corpo e a mente; – Realizar pequenos atos de gentileza.

Depois de 21 dias, seu cérebro seria então capaz de enxergar o mundo de uma maneira mais positiva.

Vale a pena conferir o que ele mesmo diz sobre isso no seu TED Talk (um dos mais acessados do mundo) e tirar suas próprias conclusões: http://inquietaria.99jobs.com/psicologo-de-harvard-explica-como-a-busca-pela-felicidade-pode-ser-o-contrario-do-que-voce-pensa/

fonte: Roberta Fernandes, http://inquietaria.99jobs.com


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