Delicadeza manual

“Tudo nela era interessante, delicado. Flor. Até a forma de virar as páginas do livro. Tinha expressão, personalidade, toque. Virava as folhas como se dançasse com as ideias. Com dedos altos e elegantes, vencia as páginas como uma espécie de vitória por etapas. Eis uma sutileza detectada por quem queria ser amado também por aquelas mãos. Se a paixão vem primeiro aos olhos, é pelo tato que ela se materializa.”

(Adriana Araf)

Uma reflexão

“Ser lançado ao mundo é tão assustador como naufragar em alto mar. Além de imenso como o oceano, o mundo é uma espécie de país estrangeiro permanente. Mas fato é que sua vida fora sentenciada a mudar de rumo. “Terei sido eu denunciado a Deus ou apanhado em flagrante delito de ideias?”, pensava. Dúvidas, crises de fé, horas de angústia, quem não as tem? Só os espíritos indiferentes não acusam nunca a lucidez da dúvida. Vai andando e descansando. E comprometa-se com a mais antiga e lúcida de todas as disciplinas dos vivos: a paixão pela vida.”

(João de Melo, Gente Feliz com Lágrimas, 1988)

Um bom dia

Da leitura sensível de “É isso um Homem”, de Primo Levi:

“A persuasão de que a vida tem uma finalidade está enraizada em todas as fibras do homem; é uma propriedade da substância humana. Agora e aqui, a finalidade é chegar à Primavera. Neste momento nada mais preocupa.”

Uma passagem de Hesse

“Agora, pensou: todas as coisas efêmeras me escaparam, aqui estou eu de novo sob o sol como quando era criança. Nada me pertence, nada conheço, nada sei fazer, nada aprendi. Agora, que já não sou mais jovem, que meus cabelos começam a ficar grisalhos, que as forças me abandonam, agora recomeço tudo de novo, como se fora uma criança. Riu da situação. Sim, estranho, mas era seu destino. Fazia-o recuar e, agora, encontrava-se outra vez nu e vazio e ignorante perante o mundo. Mas não sentia mágoa por causa disso. Apenas um forte impacto para rir de si mesmo, para rir desse mundo estranho e louco. Via agora as pessoas de forma diferente, menos inteligente, menos orgulhoso, mais caloroso, mais curioso, mais interessado. Partiu radiante. Viu seus passos cheios de paz.”

(citação de Siddhartha, Hermann Hesse, cujo livro definiu como poema indiano, a história de uma procura)

Perigo e Oportunidade

“O mundo muda e, assim,  os mundos mudam.

De um modo geral, a mudança não é do agrado da maioria de nós, pois habitualmente procuramos agarrar e manter a estabilidade nos mais diversos aspectos de nossas vidas. É sabido que toda mudança gera tensão, um mecanismo natural que tem como objetivo facilitar a adaptação aos aspectos novos que a mudança insere no horizonte da vida.

A mudança gera desafio. Qualquer processo de mudança implica em deixar o conforto do conhecido e partir para o desconhecido. Curiosamente, em países de cultural oriental, a palavra mudança é constituída por dois caracteres, representando as duas faces da mudança: o primeiro significa PERIGO; o segundo significa OPORTUNIDADE. No Ocidente, há a tendência para exagerar no primeiro. Apesar de ser prudente avaliar o potencial perigo de algo desconhecido, deve-se entender que quando toda a energia é canalizada nesse sentido, se desvanece o potencial renovador da mudança, a OPORTUNIDADE.”

(Fundamentos do Pensamento Oriental e Macrobiótico, volume 04, de Francisco Varatojo e Pedro Romão)

 


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