Fluição

“No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge ao nosso favor. Como resultado da atitude, seguem todas as formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda, que nenhum ser humano jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia.”

(Goethe)

As diversas visões

“A cada etapa da vida do homem corresponde uma certa Filosofia. A criança apresenta-se como um realista, já que está tão convicta da existência da peras e das maçãs como da sua. O adolescente, perturbado por paixões interiores, tem que dar maior atenção a si mesmo, tem que se experimentar antes de experimentar as coisas e transforma-se portanto num idealista. O homem adulto, pelo contrário, tem todos os motivos para ser um céptico, já que é sempre útil pôr em dúvida os meios que se escolhem para atingir os objetivos. Dito de outro modo, o adulto tem toda a vantagem em manter a flexibilidade do entendimento, antes da ação e no decurso da ação, para não ter que se arrepender posteriormente dos erros de escolha. Quanto ao ancião, converter-se-á necessariamente ao misticismo, porque olha à sua volta e as mais das coisas lhe parecem depender apenas do acaso: o irracional triunfa, o racional fracassa, a felicidade e a infelicidade andam a par sem se perceber porquê. É assim e assim foi sempre, dirá ele, e esta última etapa da vida encontra a acalmia na contemplação do que existe, do que existiu e do que virá a existir.”

(Goethe, em “Máximas e Reflexões”)

O detalhe

Alguém viu o jardineiro? É que as flores estão maravilhosas…

(Adriana Araf)

Para sua vida andar

1. Desista da sua necessidade de estar sempre certo

Há tantos de nós que não podem suportar a ideia de estarem errados – querem ter sempre razão – mesmo correndo o risco de acabar com grandes relacionamentos ou causar estresse e dor, para nós e para os outros. E não vale a pena, mesmo. Sempre que você sentir essa necessidade “urgente” de começar uma briga sobre quem está certo e quem está errado, pergunte a si mesmo:

“Eu prefiro estar certo ou ser gentil?” (Wayne Dyer)

Que diferença fará? Seu ego é mesmo tão grande assim?

  1. Desista da sua necessidade de controle

Estar disposto a abandonar a sua necessidade de estar sempre no controle de tudo o que acontece a você e ao seu redor – situações, eventos, pessoas, etc. Sendo eles entes queridos, colegas de trabalho ou apenas estranhos que você conheceu na rua – deixe que eles sejam. Deixe que tudo e todos sejam exatamente o que são e você verá como isso irá o fazer se sentir melhor.

“Ao abrir mão, tudo é feito. O mundo é ganho por quem se desapega, mas é necessário você tentar e tentar. O mundo está além da vitória.” (Lao Tzu)

  1. Pare de culpar os outros

Desista desse desejo de culpar as outras pessoas pelo que você tem ou não, pelo que você sente ou deixa de sentir. Pare de abrir mão do seu poder e comece a se responsabilizar pela sua vida.

  1. Abandone as conversinhas auto-destrutivas

Quantas pessoas estão se machucando por causa da sua mentalidade negativa, poluída e repetidamente derrotista? Não acredite em tudo o que a sua mente está te dizendo – especialmente, se é algo pessimista. Você é melhor do que isso.

“A mente é um instrumento soberbo, se usado corretamente.

Usado de forma errada, contudo, torna-se muito destrutiva.” (Eckhart Tolle)

  1. Deixe de lado as crenças limitadoras sobre quem você pode ou não ser, sobre o que é possível e o que é impossível.

De agora em diante, não está mais permitido deixar que as suas crenças restritivas te deixem empacado no lugar errado. Abra as asas e voe!

“Uma crença não é uma ideia realizada pela mente, é uma ideia que segura a mente.” (Elly Roselle)

  1. Pare de reclamar

Desista da sua necessidade constante de reclamar daquelas várias, várias, váaaarias coisas – pessoas, momentos, situações que te deixam infeliz ou depressivo. Não é a situação que libera esses sentimentos em você, mas como você escolhe encará-la.

Nunca subestime o poder do pensamento positivo.

  1. Esqueça o luxo de criticar

Desista do hábito de criticar coisas, eventos ou pessoas que são diferentes de você. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, somos todos iguais. Todos nós queremos ser felizes, queremos amar e ser amados e ser sempre entendidos.

  1. Desista da sua necessidade de impressionar os outros

Pare de tentar tanto ser algo que você não é só para que os outros gostem de você. Não funciona dessa maneira. No momento em que você pára de tentar com tanto afinco ser algo que você não é, no instante em que você tira todas as máscaras e aceita quem realmente é, vai descobrir que as pessoas serão atraídas por você – sem esforço algum.

  1. Abra mão da sua resistência à mudança

Mudar é bom. Mudar é o que vai te ajudar a ir de A a B. Mudar vai melhorar a sua vida e também as vidas de quem vive ao seu redor. Abrace a mudança – não resista a ela.

“Siga a sua felicidade e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes” (Joseph Campbell)

  1. Esqueça os rótulos

Pare de rotular aquelas pessoas, coisas e situações que você não entende como se fossem esquisitas ou diferentes e tente abrir a sua mente, pouco a pouco. Mentes só funcionam quando abertas.

“A mais extrema forma da ignorância é quando você rejeita algo sobre o que você não sabe nada” (Wayne Dyer)

  1. Abandone os seus medos

Medo é só uma ilusão, não existe – você que inventou. Está tudo em sua cabeça. Corrija o seu interior e, no exterior, as coisas vão se encaixar.

“A única coisa de que você deve ter medo é do próprio medo” (Franklin D. Roosevelt)

  1. Desista de suas desculpas

Você não precisa mais delas. Muitas vezes nos limitamos por causa das muitas desculpas que usamos. Ao invés de crescer e trabalhar para melhorar a nós mesmos e nossas vidas, ficamos presos, mentindo para nós mesmos, usando todo tipo de desculpas – desculpas que, 99,9% das vezes, não são nem reais.

  1. Deixe o passado no passado

Eu sei, eu sei. É difícil. Especialmente quando o passado parece bem melhor do que o presente e o futuro parece tão assustador, mas você tem que levar em consideração o fato de que o presente é tudo que você tem e tudo o que você vai ter. O passado que você está desejando – o passado com o qual você agora sonha – foi ignorado por você quando era presente. Pare de se iludir.

Esteja presente em tudo que você faz e aproveite a vida. Afinal, a vida é uma viagem e não um destino. Enxergue o futuro com clareza, prepare-se, mas sempre esteja presente no agora.

  1. Desapegue do apego

Este é um conceito que, para a maioria de nós é bem difícil de entender. E eu tenho que confessar que para mim também era – ainda é -, mas não é algo impossível. Você melhora a cada dia com tempo e prática. No momento em que você se desapegar de todas as coisas, (e isso não significa desistir do seu amor por elas – afinal, o amor e o apego não têm nada a ver um com o outro; o apego vem de um lugar de medo, enquanto o amor… bem, o verdadeiro amor é puro, gentil e altruísta, onde há amor não pode haver medo e, por causa disso, o apego e o amor não podem coexistir), você irá se acalmar e se virá a se tornar tolerante, amável e sereno…

Você vai alcançar um estado que te permita compreender todas as coisas, sem sequer tentar. Um estado além das palavras.

  1. Pare de viver a sua vida segundo as expectativas das outras pessoas

Pessoas demais estão vivendo uma vida que não é delas. Elas vivem suas vidas de acordo com o que outras pessoas pensam que é o melhor para elas, elas vivem as próprias vidas de acordo com o que os pais pensam que é o melhor para elas, ou o que seus amigos, inimigos, professores, o governo e até a mídia pensa que é o melhor para elas. Elas ignoram suas vozes interiores, suas intuições. Estão tão ocupadas agradando todo mundo, vivendo as suas expectativas, que perdem o controle das próprias vidas. Isso faz com que esqueçam o que as faz feliz, o que elas querem e o que precisam – e, um dia, esquecem também delas mesmas. Você tem a sua vida – essa vida agora – você deve vivê-la, dominá-la e, especialmente, não deixar que as opiniões dos outros te distraiam do seu caminho.

(Essa lista é uma tradução, o texto original e em inglês é do World Observer Online)

A aridez comum dos dias comuns

“Alguns dias despertam mais áridos que outros.

Você acorda e nenhuma peça se encaixa, nenhuma roupa tem bom caimento, o cabelo mudou de humor, o espelho traz um reflexo ruim.

O embaçado das horas toma conta de alguns dias estranhos, mas a gente sabe que vai passar. Se não é depressão, doença séria que merece total atenção, faz parte do ser humano, de sentir-se vivo, de absorver energias ao nosso redor, de sentir empatia, de estar alinhado a outras consciências, nem sempre conscientes de si.

Nem todo dia promete, nem toda espera tem o seu encontro, nem tudo se aperfeiçoa dentro da gente.

Tem dias em que você tem que se deixar pra lá, se relevar, esquecer de tentar ser o mesmo.

Dias áridos acontecem o tempo todo, pra qualquer um _ até para aqueles que não sofrem de alterações hormonais nem carregam bipolaridades.

São saudades vazias que voltam pra assolar o peito, desejos insatisfeitos, falta de sentido diante do trivial, percepção do mundo por lentes desfocadas, ausência de fome para o novo.

Nesses dias tão estranhos não adianta insistir. Nem tentar manter a rotina de antes (você estará diferente por alguns dias, apenas tolere).

Mude o trajeto e esqueça diagnósticos sombrios. Você é como todo mundo, e dias assim acontecem a todo momento (se durar mais que uma semana, procure ajuda).

Porque chega uma hora em que as janelas querem ser novamente escancaradas, o sol deseja queimar a pele de um jeito novo e o tédio dá lugar à esperança.

Mas ainda assim, são ciclos. E por mais cansativo que seja, você não está livre de, uma hora qualquer, voltar a habitar o árido que há em você.

Porém, ao entender que ele existe e não pode ser negado, apenas enfrentado, conseguirá aceitar melhor os momentos e a si mesmo.

Infelizmente forçamos demais a barra para sair do acinzentado dos dias. Só nos permitimos navegar em águas límpidas e remamos desesperados para longe do rio turvo que de vez em quando vem se juntar ao nosso mar.

Esquecemos que a existência não é linear. Ao contrário, de vez em quando nossos remos pesam e nossas braçadas ficam mais difíceis. Mas chega uma hora em que, do mesmo jeito que as peças se desalinham, elas também se organizam. E naquele mesmo lugar onde só havia inadequação, começamos a enxergar beleza e verdade. Sem explicação. Sem questão hormonal que explique o peso e a leveza que se intercalam em nossas caminhos ou esquinas”.

(texto de Fabíola Simões)


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