Tempo das Coisas

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“(…) Fato é que as coisas vão embora, tomam seu rumo. Desvanecem-se. E o tempo consegue ser o elemento-chave dessas partidas, jogando-as cada vez mais para longe de nós. E, se recuperadas em parte algum dia em atos de recordação, simplesmente apresentam-se alteradas. Não nos vemos mais nelas em completude. Há uma nostalgia no ar para recomposições, todavia é melhor aceitar que o formato original se foi. A roupagem não se adequa mais e os anseios da época fumegaram. Fato vivido. De resto, rastros (…)

Adriana Araf

Certezas vagas

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“(…) já não preciso mais de ti, muito embora minhas atitudes insanas revelem o contrário. Tenho discos, amigos, bons vinhos, tesouras cortantes e excessos de camaradagens. Um felino caminha sob minha espreita. A parede da alcova foi retirada e o ambiente ficou amplo, único. No design, o subliminar: casa de uma pessoa só. Já não preciso mais de ti, nem de suas roupas espalhadas e nem daquelas malditas bitucas de cigarros no cinzeiro azul lavado a cada duas horas. O espaço, deveras, aumentou. O que me surpreende ainda é aquele seu cheiro influenciando a casa. O ardor. As memórias. Talvez eu tenha que buscar outros ares. Mas, como fazê-lo? As noites não ajudam e nem o sol aquece os novos dias. Tudo gira diminuindo minha pretensões (…)”

(Adriana Araf)

Longe dos aranzéis

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(…) Sempre que eu leio: fulano sumiu, sicrano nunca mais deu as caras, eu penso “deve estar cuidando da própria vida ou, ainda, na melhor das hipóteses, buscando um eu longínquo que demora encontrar”. A recomendação é pura e simples para casos puros e simplórios como esses: deixe o outro em paz e não o atormente com sua curiosidade incensante. Trate de se perguntar se não quer sumir também como fez quem saiu de cena. O sumir não significa um sumir genuinamente traduzido. É uma prerrogativa maravilhosa concedida a quem a exerce com poderio e consciência, se isso, claro, não der prejuízo material a ninguém e nem for advindo de doença latente. É uma atitude própria, curial de quem crê ser o anonimato uma fonte de energia a alimentar a alma. Esses seres desvinculados não gostam de notabilidade, nem de redes, nem de tramas, nem de aramados ou teias. Entre os direitos de ir e vir, gostam de exercer o de sumir, de evolarem-se. Foram tantas que vieram que agora, no cenário amplo das mais abrangentes formas de exposições, apenas desejam ficar longe das arengas e dos aranzéis (…)

(Adriana Araf)

Ela, Lygia

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“Quero ficar só. Gosto muito das pessoas, mas essa necessidade voraz às vezes vem me libertar de todos. Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não esta feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim. Se é difícil carregar a solidão, mais difícil ainda é carregar uma companhia”.

Lygia Fagundes Telles

 

Retorno

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“É preciso retornar ao mais íntimo, isolar-se e buscar nele as formas originais das convicções ora externamente assoladas pelos tempos sombrios. Buscar ouvir a voz de dentro com fins claros de calar o barulho de fora e dar azo ao mais profundo dos interiores: o seu. Lá estão alguns dos sonhos ainda por serem realizados, as saudades dos tempos de outrora, os desejos aquietados, as dúvidas mais sinceras, o calor do que não foi e quer ser e a base da estrutura. Voltar para si mesmo é sair da periferia emocional e prestigiar o renovamento das sensações. Dar a si uma oportunidade de reencontro, independentemente do que se procura.”

(Adriana Araf)


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