Sábado

“O ar entre eles tinha gosto de sábado. E de súbito os dois eram raros, uma raridade no ar. Eles se sentiam raros, não fazendo parte das mil pessoas que andavam pelas ruas. Os dois às vezes eram coniventes, tinham uma vida secreta porque ninguém os compreenderia. E mesmo porque os raros são perseguidos pelo povo que não tolera a insultante ofensa daqueles que se diferenciavam.”

(Clarice Lispector)

Palavras…

“Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoismo. Para qualquer escolha se segue alguma consequência, vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível.

Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos.

Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.
(Charles Chaplin)

Enloucresça

Sob a minha poética visão, o trecho mais interessante de uma composição vasta.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos… Destaquei. Que imersão…

Adriana Araf

Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira.”

(Dele, imenso, Carlos Drummond de Andrade)

 

Vive Plenamente

Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências: deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

Há pessoas que só estão bem onde não estão. O seu “aqui” nunca é suficientemente bom. Através da auto-observação, vê se é esse o teu caso. Estejas onde estiveres, esteja lá plenamente. Se achares que o teu aqui e agora é intolerável e te deixa infeliz, tens três opções à escolha: ou te retiras da situação, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida, tens de escolher uma dessas três opções, e tens de escolher agora. Depois aceitas as consequências. Nada de desculpas. Nada de negatividade. Nada de poluição psíquica. Mantém limpo o teu espaço interior.

Se tomares quaisquer providências – deixares ou mudares a tua situação – deixa cair primeiro a negatividade, se for absolutamente possível. As providências com origem na intuição do que é necessário são sempre mais eficazes do que as providências com origem na negatividade.

Muitas vezes, qualquer providência é melhor de que nenhuma providência, especialmente se estiveres atolado desde há muito numa situação infeliz. Se for um erro, pelo menos aprenderás alguma coisa e, nesse caso, deixará de ser um erro. Se continuares atolado, não aprenderás nada. Estará o medo a impedir-te de tomares providências? Reconhece o medo, observa-o atentamente, dá–lhe a tua atenção, está plenamente presente com ele. Agir assim cortará o elo entre o medo e o teu pensar. Não deixes que o medo surja na tua mente. Usa o poder do Agora. O medo não pode prevalecer contra ele.

Se não houver realmente nada que possas fazer para mudar o teu aqui e agora, e se não puderes retirar-te da situação, então aceita o teu aqui e agora totalmente deixando cair toda a resistência interior. O eu falso e infeliz que adora sentir-se desgraçado, ressentido, ou ter pena de si próprio, deixa de poder sobreviver. Chama-se a isto rendição. Render-se não é fraqueza. Há nisso uma grande força. Só uma pessoa que se rende tem poder espiritual. Através da rendição, vês-te internamente livre da situação. Verás então que a situação muda sem qualquer esforço da tua parte. De qualquer maneira, tu estarás livre.

Estás com stresse? Estás tão ocupado em chegar ao futuro que o presente fica reduzido? O stresse é provocado pelo estar “aqui” mas querer estar “além”, ou estar no presente, mas querer estar no futuro. E uma cisão que te rasga por dentro. Criar e viver com uma tal cisão interior é insensatez. O facto de todas as outras pessoas fazerem a mesma coisa não a torna menos insensata. Se te vires obrigado a isso, poderás andar depressa, trabalhar depressa, ou até mesmo correr, sem te projetares no futuro e sem resistires ao presente. E quando andares, trabalhares, correres , fá-lo totalmente.
Goza da corrente de energia, da alta energia desse momento.

O passado absorve grande parte da tua atenção? Falas e pensas com frequência no teu passado, quer positiva quer negativamente? As grandes coisas que realizaste, as tuas aventuras e experiências, ou a tua história de vítima e as coisas terríveis que te fizeram, ou talvez as coisas que fizeste aos outros? Os teus processos de pensamento estão a criar sentimentos de culpa, orgulho, ressentimento, ira, mágoa, ou autocomiseração? Então estás não só a reforçar uma falsa sensação de teu eu, mas também a ajudar o processo de envelhecimento do teu corpo criando uma acumulação de passado na tua psiquê. Verifica isso por ti mesmo, observando os que te rodeiam e que têm uma forte tendência para se agarrarem ao passado.

Morre para o passado a cada instante. Não precisas dele. Refere-te a ele apenas quando absolutamente relevante para o presente. Sente o poder deste momento e a plenitude do Ser. Sente a tua presença.

(Eckhart Tolle, em A Prática do Poder do Agora)

 

Realmente…

“O que é o materialismo, senão o estado do homem que se afastou de Deus; (…) ele passa unicamente a preocupar-se com os seus interesses terrestres”.

(Jean-Paul Sartre)


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