É preciso não esquecer nada

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“É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes,
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos
a idéia de recompensas e de glórias.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos
vigiados pelos próprios olhos tão
severos conosco, pois o resto de fato não nos pertence.”
 

(Cecília Meireles)

Belos trechos

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“É difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles, porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são realmente boas de coração.”

O Diário de Anne Frank (Anne Frank)

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.”

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, cons­truídas à margem de um rio de águas diá­fanas que se precipitavam por um lei­to de pedras polidas, brancas e enor­mes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.

Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez)

Matar não quer dizer a gente pegar revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.”

Meu Pé de Laranja Lima (José Mauro de Vasconcelos)

O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: ‘Muito prazer em conhecê-lo’ para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo.”

O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger)

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.”

O Encontro Marcado (Fernando Sabino)

“Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas.”

Demian (Hermann Hesse)

Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice.”

On The Road (Jack Kerouac)

Trecho da obra Tarântula, de Dylan

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No lugar em que eu moro agora, a única coisa que faz
o bairro seguir em frente é a tradição — como você pode
imaginar — não serve pra muita coisa — tudo
à minha volta apodrece… não sei há quanto tempo isso
tem acontecido, mas se continuar desse jeito, logo

vou ser um homem velho — e eu só tenho 15 anos — o único
emprego por aqui é na mineração – mas Jesus, quem quer
ser um mineiro… eu me recuso a ser parte de uma
morte tão rasa — todo mundo fala da idade
média como se aquilo fosse realmente na idade média —
vou fazer o que for pra sair daqui — minha mente
está descendo rio abaixo — eu venderia minha
alma pro elefante — eu enganaria a esfinge —
eu mentiria pro conquistador… embora você possa
me entender mal, eu chegaria inclusive a
assinar um contrato com o demônio… por favor
pare de mandar relógios de pêndulo — chega de
livros ou de cestas de presentes… se você vai
me mandar algo, me mande uma chave — hei de
achar a porta onde ela se encaixa, mesmo que leve
o resto da minha vida…”

Para mais: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/livros/noticia/2016/10/conheca-os-livros-de-bob-dylan-7772538.html

 

Leiturazinha

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Lendo o pequeno “Pequena Escola das Emoções“, do alemão Anselm Grun, deixado por alguém (ou esquecido!) num banco de metrô. Muitos temas, muitas passagens, dentre elas uma abordagem sobre solidão e a oportunidade gerada por ela para crescimento. Citando Hesse, destacada foi a profundidade do poeta que examinou muito bem o tema “Viver é uma experiência solitária. Nenhuma pessoa conhece de fato a outra. Cada qual está sozinho”. Positivamente vista, caminhar assim te força a um deslocamento para dentro de si mesmo e conduz a uma reformatação das emoções. Bem aproveitada, traz silêncio, revisões internas, descansos e uma busca ao sagrado. Estar sozinho e ser solitário. Há diferença? O escritor diz que sim.”

(Adriana Araf)

No café…

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“Naquele café de canto, discreto, com árvores enormes e pequenas mesas, os dois conversavam. Algo estava no ar. Não era apenas o aroma da bebida vulcânica sobre a mesa e nem a toalha bordada por alguém que dedicou dias naquela cambraia. Era uma nostalgia perceptível. A mão dela estava sobre a dele. O batom seria deixado naquela louça aos poucos. Duas cadeiras ocupadas por corpos com almas entrosadas. Ela usava delicadamente o guardanapo. Ele ria solto, cultuando cada palavra que saia daquela boca. Tudo muito repousante. Pausado. Bonito.”

(Adriana Araf)


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