Cautela e Força

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(…) E uma vez que a tempestade acabou, você não vai se lembrar como você fez isso, como você sobreviveu a ela e você não vai ter certeza se a tempestade realmente acabou. Embora uma coisa seja certa, quando você sair dessa tempestade, você não será a mesma pessoa que entrou nela (…)

in Crônica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami

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(…) Escrevo de mãos atadas. Na concretude do meu quarto de onde eu não saio faz algum tempo. Escrevo sem poder escrever e por isso escrevo. De resto, não saberia o que fazer com este corpo que, desde a sua chegada ao mundo, não consegue sair do lugar. Porque eu já nasci velha, numa cadeira de rodas, com as pernas enguiçadas, os braços ressequidos. Nasci com cheiro de terra úmida, o bafo de tempos antigos sobre o meu dorso. Por mais estranho que isso possa aparecer, a verdade é que nasci com os pés na cova. Não falo de aparência física, mas de um peso que carrego nas costas. Um peso que me torce os ombros e endurece o pescoço e que me deixa dias à fio – às vezes um, dois meses – com a cabeça no mesmo lugar (…).

de Tatiana Salem Levy, A chave de casa

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(…) Então, camaradas, qual é a natureza da nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo de alimento necessário para continuar respirando e os que podem trabalhar são forçados a fazê-lo até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade. Será isso, apenas, a ordem natural das coisas? Será esta nossa terra tão pobre que não ofereça condições de vida decente aos seus habitantes? Não, camaradas, mil vezes não! (…)

(in A revolução dos bichos, George Orwell)

Uma necessidade constante

adri praia

Você não sabe como eu preciso da sua voz.
Eu preciso da sua aparência.
Daquelas palavras que sempre me encheram.
Eu preciso da sua paz interior.
Eu preciso da sua luz. 
Eu não posso continuar assim.
Não posso mais e minha mente não quer pensar,
mas ela não consegue pensar em outra coisa senão em você.
Eu preciso da flor das suas mãos,
daquela paciência de todos os seus atos
com aquela justiça que me inspirava,
pois isso foi sempre a minha espinha.
Minha fonte de vida secou,
estou me queimando.
O que eu preciso, eu achei
mas ainda assim eu ainda sinto muito a sua falta.

Mario Benedetti

Mãe todo dia, mesmo que os nossos dias fiquem sem mães

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(…) o lenço da minha mãe me protegeu a garganta e me impediu de dizer o que se deve calar e me deu coragem de falar quando não podemos ficar em silêncio. Quando meu corpo se movia, o corpo dela se movia comigo. Quando as minhas pernas andavam, eram as suas pernas caminhando nas minhas (…)

(Isabela Figueiredo, Terra, in Mães que Tudo)


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