Sermão dominical

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“Tema de hoje do sermão de um padre na missa do meio-dia: “a cegueira humana e a divina forma de olhar o mundo”. Prestei atenção em cada palavrinha. E se falou sobre Descartes. E Saramago. E tantas outras altas abordagens sobre esse fenômeno tão inserido na condição humana. Como somos cegos. Como somos fracos. Como somos vulneráveis.  Como somos atingidos por falsas verdades a todo momento e não enxergamos por medo ou por desejo o que está ali, latente. O conselho coletivo foi o de depuração das lentes. Mesmo que algo te cause um reflexo doloroso, prefira enxergar os fatos como são e não como desejos de como deveriam ser.  E se acrescentares um pouco de divindade em seus olhares, enxergando o mundo com misericórdia, perdão, indulgência, graça e clemência, o julgamento será menor e a sua austeridade reduzida. E a sua vida, consequentemente, mais leve. Se somos cegos, que DEUS nos encha de contemplações e nos aguce a capacidade de perceber o imperceptível, notar o não existente, constatar a essência, verificar os lados, reparar nas emoções e enxergar o que não pode ser visto.”

(Adriana Araf)

Bela Oração a si mesmo…

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“Que eu me permita:

olhar e escutar e sonhar mais.

Falar menos.

Chorar menos.

Ver nos olhos de quem me vê

a admiração que eles me têm

e não a inveja que penso que alguns têm.

Escutar com meus ouvidos atentos
e minha boca estática as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras.

Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.

Saber realizar os sonhos que nascem em mim…

Então, que eu possa viveros sonhos possíveis,  e os impossíveis; aqueles que morrem e ressuscitam:

a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.

Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar, sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.

Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos, do impossível da imensidão de toda profundeza.

Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque,
pelo sentir, pelo compreender pelo segredo das coisas mais raras pela oração mental.

Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma,
vislumbrar as curvas, desenhar as retas.

Que eu não tenha medo de meus medos!

Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.

Que eu faça de mim um ser humano sereno
dentro de minha própria turbulência, e seja
sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos, humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas

(que eu me mostre o quanto são pequenas
minhas grandezas
e o quanto é valiosa
minha pequenez).

Que eu me permita ser mãe, ser pai,
e, se for preciso, ser órfão com aceitação da ordem.

Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria
com que os simples traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente
o ser; o ser por si só,

por mais nada que possa ter além de sua essência,
auxiliar a solidão de quem chegou,
render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou.

Que eu possa aceitar a minha missão e a amplie.

Que eu ame os animais, o mundo, a água dele. O que me foi dado por uma Força Especial.

Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,

fazer gentilezas quando recebo carinhos;
fazer gentilezas mesmo quando não receba gentilezas.

Que eu jamais fique só,
mesmo quando
eu me queira só.”

Amém.

(Oswaldo Antônio Begiato)

Hoje, Dia da Água

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“Sou água cristalina que da terra brota
Minhas nascentes são preciosidades
Neste planeta que ainda é raridade
Pois outra vida não foi encontrada
Formando uma correnteza a fluir
Saciando a sede da humanidade
Saciando a sede das plantações
Saciando a sede de todas as nações
Saciando a sede da natureza em geral
Sem mim não haverá vida não
Cuidem das nascentes como jóias raras
Dela todos são dependentes

Temos apenas um quarto de terra
Neste planeta azulado pela água
A maior parte não se pode beber
E hoje já se fala na extinção dela
Esta fonte de vida para todos
Sem falar dos que morrem
Em muitos países pela falta dela
Aqui mesmo no Brasil temos
Lugares onde a água é escassa
Se o meu grito assim como de muitos
Fossem ecoados pela terra toda
Teriam mais consciência e cuidado
Com a água que é inutilizada
Principalmente pelas indústrias

Sou água cristalina que brilho como diamante
Quanto caio da cachoeira sob o sol radiante

Ouvimos o som dos seus ecos de socorro
Tentamos tapar os ouvidos, mas não há como
Temos que gritar em conjunto fazendo eco no mundo

Sou água cristalina
Por favor, me socorra
Não me deixe secar nem evaporar
Não tapem minhas nascentes estou morrendo
Quero ficar aqui e saciar a sede de todos
Sou água cristalina que faço a diferença neste planeta.”

(Ângela Lugo, poeta lusitana)

Postagens Vívidas

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“Muitas e muitas vezes somos o carteiro que entrega notícias nesse vaivém desuniforme da vida. De vestimenta amarela e azul imaginário, entramos na casa (leia-se na vida) das pessoas portando envelopes verbais e as informamos de coisas, fatos e ocorrências. Significativas ou não, somos portadores de emoções. Causaremos impactos profundos, se as notícias não forem nada boas, nada desejadas, nada aproveitadas. Propulsionaremos sorrisos largos e suspiros profundos, caso as informações sejam as mais belas possíveis, as mais saudáveis e as mais pretendidas já aguardadas. Um detalhe importante no desempenho desse ofício humano é a forma. De boa a má, a notícia sempre tem um formato. Procure empregar docilidade e dote-se de equanimidade nos comunicados. Isso porque os papéis de entregadores e receptores são bastante mutáveis. Um dia você é portador, noutro você é o receptor. E, geralmente, os conteúdos relevantes costumam ser quase os mesmos. Tenha mãos de veludo e voz grácil nessa arte da condução dos temas da vida na vida dos outros. Tão comuns a todos. Tão possíveis. Tão similares.”

(Adriana Araf)

Outonizar…

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“Era difícil dizer quando chegara ao certo o Inverno. Primeiro, ocorreu um arrefecimento das temperaturas noturnas. Depois, chegaram os dias de chuva ininterrupta, as rajadas desordenadas do vento atlântico, a umidade, o cair das folhas e a mudança das horas nos relógios. Continuavam a verificar-se, em todo caso, tréguas esporádicas, manhãs de céu limpo e luminoso, que permitiam que se saísse de casa sem agasalhos. Mas tratava-se de qualquer coisa como os sintomas enganadores da remissão de um paciente sentenciado à morte. O parque vizinho se transformou numa superfície desolada de lama e de água, iluminada apenas pelo clarão riscado da chuva nos postes públicos. Certa noite, quando o atravessava debaixo de um aguaceiro, veio-me à memória um dia de calor intenso do Verão anterior que, deitado no chão, tirara os sapatos e acariciara a relva com os pés descalços, enquanto o contato direto com a terra me trazia uma impressão de liberdade, fazendo-me sentir tão em casa no mundo como se estivesse em meu quarto.”

(Alain de Botton, A Arte de Viajar, 6ª. edição)


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