Soneto de Aniversário

Resultado de imagem para soprando velinhas

“Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.”

(Vinicius de Moraes)

 

Ele…

Resultado de imagem para Discretos, silenciosos, chegaram os dias lindos…

Maravilhosa a obra “Os dias lindos”, de Carlos Drummond de Andrade.

(…) Discretos, silenciosos, chegaram os dias lindos (…)

*fonte e para se deliciar com essas belas palavras: http://www.orelhadelivro.com.br/livros/536531/os-dias-lindos/

É começo…

Resultado de imagem para obviedades

“É a nova semana que começa. E nela o novo horário de verão.

O dia começará escuro e a noite terminará com muito clarão.

É a minha velha agenda cheia de obviedades. Quase tudo nela em vão”.

(Adriana Araf)

Uma partida saudosa

Resultado de imagem para livro fechado ao vento

Lembrando as ponderadas palavras do médico e escritor Flávio Gikovate. E pensar que há um mês estava lançando o belo livro “Para ser feliz no Amor – os vínculos afetivos hoje“. Vai deixar saudades. Muitas. Muitas. Enormes.

Adriana Araf

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficarem sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O ser humano é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado”.

Mais sobre: http://veja.abril.com.br/ciencia/morre-aos-73-anos-flavio-gikovate-psiquiatra-e-escritor/

Anita Raja é Elena Ferrante. E daí?

Resultado de imagem para elena ferrante

No último domingo (2), um artigo publicado no site da revista literária The New York Review of Books desvendou um mistério que assombrava o mercado editorial: quem é Elena  Ferrante? Segundo o jornalista Claudio Gatti, por trás do pseudônimo que estampa as capas da festejada Tetralogia napolitana estaria a pena da tradutora italiana Anita Raja, mulher do escritor Domenico Starnone. Para descobrir a verdadeira identidade de Ferrante, Gatti seguiu um velho adágio do jornalismo investigativo: “Siga o dinheiro”.

Gatti apoiou sua apuração em uma planilha cedida por uma fonte anônima e cruzou os valores pagos a Raja pela editora Edizioni e/o, que publica Ferrante na Itália, com o aumento do patrimônio da escritora e seu marido. Em 2015, quando os livros de Ferrante acampavam nas listas de mais vendidos de inúmeros países, os vencimentos de Raja na Edizioni e/o foram sete vezes maiores que em 2010. Registros imobiliários mostram que, logo após a estreia de uma bem-sucedida adaptação cinematográfica de um dos romances de Ferrante, em 2000, Raja comprou um amplo apartamento num bairro nobre de Roma e uma casa de campo na Toscana. Suas traduções de Kafka e escritoras da antiga Alemanha Oriental não podiam ser tão rentáveis assim.

Ferrante começou a publicar no início dos anos 1990, mas foram as edições estrangeiras de A amiga genial, o primeiro volume da Tetralogia, de 2011, que a transformaram num fenômeno editorial. Seu célebre anonimato contribuiu para que as edições de seus livros alcançassem mais de 40 países. Foi quase 1 milhão de cópias vendidas na Itália e outros 2,6 milhões nos países de língua inglesa. No Brasil, os três romances A amiga genial, A história do novo sobrenome,  que pertencem à Tetralogia, e Dias de abandono somaram 47 mil exemplares vendidos – um número bastante expressivo para os padrões brasileiros. Foram publicados pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros, que, ainda neste mês, enviará às livrarias uma tiragem de 15 mil exemplares de História de quem foge e de quem fica, o terceiro volume da Tetralogia. A Intrínseca se prepara para publicar A filha perdida, considerado o embrião dos romances napolitanos, e Uma noite na praia, a única incursão de Ferrante na literatura infantil, narrado por uma boneca.

Desde que a “febre Ferrante” se espalhou pelo mundo, especula-se sobre a identidade da romancista. Um time de físicos e matemáticos da Universidade de Roma recorreu a um software especial para analisar os livros de Ferrante e concluiu que era “altamente provável” que tivessem sido escritos por Starnone, o marido de Raja. Ela também foi apontada, por blogs de fofoca italianos, como a autora dos romances napolitanos. Gatti foi duramente criticado por revelar quem se escondia por trás do pseudônimo. “O que se tira desse episódio é a triste supressão do direito de um artista se revelar ou não”, diz Danielle Machado, editora de títulos internacionais da Intrínseca. “Nós achamos que esse tipo de jornalismo é nojento”, afirmou Sandro Ferri, o editor italiano de Ferrante, sobre os métodos de Gatti. “É uma figura pública, já vendeu milhões de livros e os leitores têm o direito de saber algo sobre a pessoa que os escreveu”, rebateu o jornalista.

Em La frantumaglia, um livro que reúne cartas, entrevistas e relatos autobiográficos, Ferrante afirma ser uma das quatro filhas de uma costureira napolitana. Leitores e a imprensa combinavam migalhas confessionais como essas com pistas escavadas nos romances para compor um retrato da enigmática autora. Ferrante seria, portanto, uma napolitana amante da literatura clássica que conhecia bem as agruras da classe operária italiana do pós-guerra e a violência da Máfia. Raja, porém, cresceu em Roma e não tem irmãos. É filha de um magistrado italiano e de uma judia-alemã que escapou do nazismo.

As revelações de Gatti acabam por reafirmar o que teóricos da literatura anunciam há décadas: a biografia do autor pouco importa. Raja não conheceu a vida dura das periferias de Nápoles, onde vivem os personagens de Ferrante, mas, ainda assim, foi capaz de compor uma obra que reflete sobre a ambição, a violência e a pobreza.

O vigor da prosa de Ferrante – e de toda a literatura – não depende das experiências pessoais da autora, mas de sua capacidade de imaginar e criar um mundo grande o suficiente para que, ao virar uma página, o leitor possa topar consigo mesmo.

Fonte: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2016/10/anita-raja-e-elena-ferrante-e-dai.html


Página 28 de 147« Primeira...1020...2627282930...405060...Última »