Feliz 2016!

Estar consigo, que dádiva…

“Sou o tipo de sujeito que gosta de estar sozinho consigo mesmo. Para dizer de um modo mais agradável, sou o tipo de pessoa que não acha um sofrimento ficar só. Não acho que passar uma ou duas horas correndo sozinho todos os dias, sem falar com ninguém, além de passar quatro ou cinco horas sozinho em minha mesa, seja difícil nem chato. Tenho essa tendência desde que era mais novo, quando, caso tivesse escolha, preferia ficar sozinho lendo um livro ou concentrado ouvindo música a estar na companhia de alguém. Sempre fui capaz de pensar em mais coisas para fazer quando estou sozinho, ali, no silêncio.”

(Haruki Murakami)

Para a ciência, a poesia é mais eficaz que a autoajuda

Um artigo descoberto na rede.

Interessante.

Adriana Araf

“Ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.

Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos de Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin e depois essas mesmas passagens traduzidas para a “linguagem coloquial”.

Os resultados da pesquisa mostraram que a atividade do cérebro “acelera” quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.

Os especialistas descobriram que a poesia é mais útil que os livros de autoajuda porque afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.

Os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens.”

Fonte: Conti Outra

Aceitação

“Aceite as coisas que deram certo e aceite as coisas que não deram. Aceitar é um ato de amor-próprio. Algo pacífico como: pronto, eis minha história, cheia de acontecimentos.  Aceite, igualmente, esses conselhos bobos que estou te dando em meio a uma chuva intensa e olhando pingos que acertam flores e pingos que caem sobre asfaltos duros. Um dia sobre jardins, noutros enfrentando solos impenetráveis, somos pingos, com uma natureza bela, benéfica e eficaz agindo de imediato para nos transformar em nuvens de novo, como se soubesse que o nosso lugar é lá encima.”

(Adriana Araf)

A decisão de ir embora

“Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, pois, se fores, a vida dos outros seguirá com ou sem você por perto. E a sua vai seguir também.

Pessoas nascem, crescem, casam, morrem, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava que somente você poderia resolver. É chocante e libertador: ninguém precisa de você para continuar vivendo, mas você precisará sempre de você. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua faxineira, nem o homem da padaria, nem seu melhor amigo, nem ninguém.

Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção vaga e distorcida da importância do próprio umbigo. A novidade para quem sofre desse mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso e vá embora, se achar que é a hora. Vai dar uma voltas por aí.

Esse papo de “que saudades de você; vamos nos ver uma hora dessas” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois há um filtro natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “que saudades de você” com um “por isso estou te mandando esse áudio”, “por isso estou te mandando essa mensagem”, “é que está tocando a nossa música”, “então…comprei uma passagem” ou, ainda, “desce agora que estou aqui embaixo”. E por aí vai. Quem sente saudades se materializa em atos e têm palavras com pernas.

Então vai embora, se quiseres ir. Solta suas cordinhas ilusórias e segue para novos horizontes.  Vá embora do trabalho que te atormenta (ah, sim, você não vai morrer de fome); daquela relação que você sabe que não vai dar certo (ah, sim, sabemos, todavia admitir é outra conversa), da “galera” que está presente  quando convém. Vá embora da casa dos teus pais (ah, sim, eles ficarão bem). Vai embora da sala. Do teu país. Por minutos ou anos, ou pra vida toda. Se ausente, nem que seja para encontrar você mesmo.

Quando voltar (e se voltar, porque para onde você for pode ser o lugar que você estava à procura), vai ver as coisas sob outra perspectiva, mais amenas sem dúvida alguma. Você se arranjará e todo mundo sobrevive. A volta de algum lugar é uma sensação maravilhosa, leve e adocicante, porque você já terá olhos revigorados.

As desculpas e preocupações sempre existirão. Basta você decidir encarar as mesmas como elas são – do tamanho de uma formiga. E olhe lá.

É aquilo: às vezes precisamos deixar a vida que havíamos planejado, porque já não somos mais a pessoa que fez aqueles planos.”

(Antônia Macchi)


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