Uma confissão eterna

Resultado de imagem para flores voando

“Leia essas adocicadas palavras Eu vou te amar para sempre.

Guarde todas elas em seus dias e em seus silenciosos momentos. Em suas reflexões sobre onde foi parar o amor do mundo. Enquanto vê as flores do seu jardim e coloca água nos potes.

Diga mil vezes essa frase linda e essencial que faz todo o resto parecer restante. Em seus medos, repita calmamente “E-u  v-o-u  s-e-r  a-m-a-d-o  p-a-r-a  s-e-m-p-r-e”. E isso afastará tudo o que não serve.

Não ligue para os hipotrélicos. Siga Guimarães Rosa nisso. Se um dia eles forem amados como você, eles serão convertidos e terão leite e mel sobre suas almas.

Em caso de dúvidas, expulse-as como esse decreto de amor labial. Ser amado para sempre é o melhor amuleto que se pode carregar na alma.

Essas palavras são bálsamos. Refresco na quentura. Fervura no frio. Alívio e satisfação. Aroma para situações cruas. Consolação para os dias mornos.

Quem é verdadeiramente amado é imortal. Essas palavras são sagradas. Ungidas. Maná.

Faça sol, faça chuva ou não faça nada: eu vou te amar para sempre. Tempestades, ventos.  Uivos. Eu vou te amar para sempre. 

No silêncio estático e profundo, eu vou te amar para sempre. Em minhas ausências cada vez mais severas, eu vou te amar para sempre.

Essa frase nutre as inquietezas, sereniza os impulsos e reúne uma certeza volumosa de existência plena em alguém solto nesse mundo barulhento. E ela é verdadeira, autêntica, efetiva, exata, fiel, genuína. Veras.  Fato. Larga. Expandida. Cumprida.

O sempre no amor alcança uma vida.  Outras vidas.

As nossas vidas.  As nossas duas vidas. E se derrama sobre nós.

Eu vou te amar para sempre”

(Adriana Araf)

O direito ao exílio

Imagem relacionada

“Exilar-se como forma de proteger-se, experimentar-se, entender as próprias ideias e os impulsos. Quem exerce um direito assim sabe que, depois de praticado, se emergirá mais resoluto. As fraquezas, dúvidas, medos e outras seguidas sensações contrárias precisam ser secadas por esse decreto próprio de retirada. Não circular e nem acompanhar os movimentos alheios repetitivamente como forma de não andar em círculos e voltar exausto ao ponto de partida. Buscar a linha reta com o firme propósito de encontrar outros destinos e talvez até rever o seu para melhorar os parcos resultados e experienciar um novo olhar depois da montanha (aquela altíssima que te impede de ver o lado de lá). Para uns, dias jogados fora com reflexões sem fim. Para outros, nutrição da alma e serenidade dos barulhos internos. Para todos, uma necessidade tão igual quanto a comer ou dormir.”

(Adriana Araf)

Escarafunchar

Imagem relacionada

“É sempre isso, o escarafunchar da causa de todas as causas: uma história de amor mal acabada (ou não acontecida), um salário que não chega ao final do mês, uma roupa menor ao tamanho, uma doença que chegou levando a saúde do sorriso, um político disfarçado de boas intenções, um amigo que deu as costas quando deveria estender as mãos, um sonho apagado por falta de empenho e apoio, um desencorajamento frente a uma realidade dura que não dá tréguas. Vai-se o inverno, chega o verão e o círculo vicioso das motivações é reinaugurado. Olho pelo alpendre e penso “quiseramos nós ter mais dias de amores correspondidos, fartura material à medida das necessidades e confortos, o corpo equilibrado com a mente e ambos nutrindo a alma, políticas públicas de atendimento. Sonhos novos, revigorados em estações bem definidas”. Mas não. Na sucessão, a soma de todos os dias é essa espremida entre o sonhado e o real. O bélico. A estrada longa e os passos encurtados. É esse constante correr atrás do vento em busca de melhores ares.”

(Adriana Araf)

Aprender a ceder para sobreviver

Imagem relacionada

“Aos sonhos, como aos pesadelos, chega sempre a hora da gente acordar. É essencial compreender a realidade, viver de olhos abertos, acolher a simplicidade da vida antes de querer resolver a complexidade do mundo.

Cada um de nós tem o seu lugar no mundo, mas talvez a ninguém caiba o do centro. Nas nossas relações com o mundo, com os outros e conosco, é mais sábio aceitar do que impor, admirar do que exibir, amar do que procurar ser amado.

Viver é aprender a ceder. Assim, alibertarmo-nos de nós mesmos. Só o nosso espírito nos pode soltar porque só ele nos aprisiona.

Ser autenticamente feliz depende de uma transformação na forma de olharmos o mundo, aceitando-o sem grandes condições e agindo sem precipitações. Há que abrir espaços em nós para que a serenidade que assim se alcança convide a felicidade a fazer do nosso espírito morada sua.

A humildade e a simplicidade são formas de ser, não de parecer ser.

Um erro comum é querer ser tudo já. Nunca nada chega ou basta. E são tantas vezes as saudades a revelarem-nos o verdadeiro valor dos instantes vividos mas já passados.

As pressas atropelam o tempo. Importa não cair na tentação de querer ser senhor do próprio futuro e aprender a confiar mais. Cedendo espaço à esperança.

Afinal, quantas vezes uma tragédia, decepção, desilusão ou uma simples despedida, ao invés de serem tristes fins revelam-se, depois, como os pontos de partida das nossas maiores aventuras?”

José Luís Nunes Martins, em Filosofias – 79 Reflexões

Livros pra que te quero

Resultado de imagem para livros

“Um dia alguém disse “É boa a companhia dos livros, pois eles não têm boca“. Pobre frase esvaziada de quem precisa do som das palavras para entendê-las. O livro, quando não entra em nossa alma, ele fala conosco diretamente por lábios imaginários, dialogando cenas, incutindo novos olhares, seduzindo nosso espaço vazio para enchê-lo de conteúdo, atraindo coisas novas, moldando nossas escolhas, abrindo novos horizontes. Os livros têm essa capacidade de incitar todos os sentidos, estimulando-nos a ser melhores, mais perspicazes, mais altos, mais cheios, mais ávidos. Entre o abrir e um fechar de um livro, uma vida acontece. Saímos transformados pela magia das palavras, embevecidos pelo novo, saudados pelo conhecimento que anteriormente não tínhamos. Nas palavras de Quintana, o livro é essa dupla delícia de estarmos sós e ao mesmo tempo acompanhados. Cada livro, na essência, é uma reinauguração de quem lê.”

(Adriana Araf)


Página 2 de 13912345...102030...Última »