Liberdade

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Nos meus cadernos de escola
Na minha mesa e nas árvores
Na areia na neve
Eu escrevo o teu nome
Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel ou cinza
Eu escrevo o teu nome
Sobre as imagens douradas
Sobre as armas dos guerreiros
Sobre a coroa dos reis
Eu escrevo o teu nome
Na selva e o deserto
Sobre os ninhos nas giestas
Sobre o eco da minha infância
Eu escrevo o teu nome
Sobre as maravilhas das noites
Sobre o pão branco das jornadas
Sobre as temporadas noivas
Eu escrevo o teu nome
Em todos os meus trapos d ‘ Azur
Sobre a lagoa sol bolorento
Sobre o lago da lua viva
Eu escrevo o teu nome
Nos Campos no horizonte
Sobre as asas dos pássaros
E no moinho das sombras
Eu escrevo o teu nome
Em cada sopro de aurora
Sobre o mar em barcos
Na montanha demente
Eu escrevo o teu nome
Na espuma das nuvens
Sobre os suores da tempestade
Sobre a chuva grossa e fade
Eu escrevo o teu nome
Sobre as formas cintilantes
Sobre os sinos das cores
Na verdade física
Eu escrevo o teu nome
Nas trilhas acordados
Nas estradas desdobradas
Sobre os lugares que ultrapassam
Eu escrevo o teu nome
Sobre a lâmpada que se acenda
Sobre a lâmpada que se apaga
Sobre as minhas casas reunidas
Eu escrevo o teu nome
No fruto cortado em dois
Do espelho e do meu quarto
No meu leito concha vazia
Eu escrevo o teu nome
No meu cão guloso e mole
Sobre as suas orelhas empinadas
Na sua pata desastrada
Eu escrevo o teu nome
No trampolim da minha porta
Sobre os objetos familiares
Sobre o fluxo do fogo abençoado
Eu escrevo o teu nome
Sobre toda a carne concedida
Na frente dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Eu escrevo o teu nome
Na janela das surpresas
Os lábios atentas
Muito acima do silêncio
Eu escrevo o teu nome
Nos meus refúgios destruídos
Meus faróis desabaram
Nas paredes do meu tédio
Eu escrevo o teu nome
Sobre a ausência sem desejo
Sobre a solidão nua
Nos degraus da morte
Eu escrevo o teu nome
Sobre a saúde de volta
Sobre o risco desapareceu
Na esperança sem lembranças
Eu escrevo o teu nome
E pelo poder de uma palavra
Eu vou recomeçar a minha vida
Eu nasci para te conhecer
Para te nomear
Liberdade.

(Liberté, Paul Eluard, Au rendez-vous allemand, 1945, Les Editions de Minuit)

Descrição

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Adeus Gullar

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“A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas. Disso eu quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não tem voz.”

(Ferreira Gullar)

*Para ler mais: http://escolaeducacao.com.br/melhores-poemas-de-ferreira-gullar/

 

Eis que chega Dezembro…

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“Eis que chega Dezembro, mês que denuncia a proximidade de um novo ano. Nele, depois de percorrermos longos dias, lutado tantas lutas, há aquele certo alívio de novos tempos próximos. Dezembro traz no ar algo de inovação, revolução, ineditismo. Carrega em si movimentações para festas, reuniões, fechamentos para desejadas aberturas. Dezembro é ar fresco para nossos cansaços. É nele, incrivelmente nele, que temos o maior e mais esperançoso dos aniversários. Dezembro é um livro se fechando para se buscar novas leituras. Novos capítulos. Novas cenas. Novas capas. Novas emoções”.

(Adriana Araf)

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“Diante dos impactos da vida, precisamos ser fortes. Mesmo embargada, sai de nosso interior uma voz de comando que nos diz o contrário ao que estamos sentindo. São as tais palavras de ordem para que a vida continue seguindo em meio a perdas e desatinos, em meio a ruínas e restos emocionais. Zonzos, em agonia, nada ouvimos, mas a voz deve falar. A ela cabe nos obrigar a levantar os olhos e dar forças às pernas. Despedaçados por vazios instaurados bruscamente, a voz manda resistir. Ficamos muitas vezes menores com as ocorrências. Tudo nos encurta, nos corta, nos mobiliza. Mas a voz sai de qualquer modo. E clama luz sobre essas escuridões que fecham nossas almas. Isso não significa um feixe de cura caindo sobre os dias de luto. Dor profunda se incumba, amortiza, todavia nunca sara. Esclareça-se que a luz invocada pela voz se traduz geralmente numa direção mais ou menos certa de que haverá uma recomposição e uma sucessão de situações que levarão a uma sobrevivência dura, porém necessária. E a seguir. E estar em pé de novo, mesmo com todo o chão subtraído dos pés, mesmo com o rosto afundado nas mãos, mesmo com as esperanças vazias, mesmo que a força seja fraca e os dias não tão mais interessantes assim.”

(Adriana Araf)


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