Anoiteço saudades, acordo encontros.
Anoiteço sonhos, acordo realizações.
Anoiteço insegura, acordo corajosa.
Anoiteço cansada, acordo revigorada.
Anoiteço oração, acordo proteção.
Anoiteço segredos, acordo revelação. …
Anoiteço asas, acordo pés.
Anoiteço chata, acordo alegria.
Anoiteço quieta, acordo falas.
Anoiteço silêncio, acordo festa.
Anoiteço devagar, acordo velocidade.
Anoiteço amando, acordo amando mais ainda.
Anoiteci um entardecer, acordei alvorada.
Minhas recentes noites foram muito longas, e meus mais novos dias são agora muito mais abundantes…

Ficamos esperando tanto pelas oportunidades que nunca chegam, que o tempo acaba indo embora rápido demais.
É o tal do condicional quando. Quando isso, quando aquilo, quando der. Vou casar, quando eu me formar. Quando eu tiver dinheiro, eu viajo. Quando eu estiver preparado, eu faço o concurso. Eu me apaixonei por ele, mas quando eu tiver coragem eu ligo. Convidaram-me para um acampamento, quando der eu vou. Quero aquela blusa, quando eu tiver condições, eu compro. Não estou gostando do meu trabalho, assim que aparecer coisa melhor eu saio. Minha relação está péssima, quando surgir a oportunidade, eu falo para ela. Quero fazer uma especialização, mas ainda não deu. Estou sem tempo. Quando eu tiver mais tempo, eu vou. Minha mãe fez aniversário, não deu para ir vê-la, na próxima eu vou. Segunda-feira eu começo o meu regime. E vem terça, quarta e nada. Academia, preciso ver. Vou começar. Quero um outro curso superior,quando eu puder eu faço. Ainda não estudei para o vestibular. Quando eu estiver mais afiado, eu faço. E costumamos até dar certeza aguardando as oportunidades: “no ano que vem eu vou, com certeza, até lá já me planejei.”
Aí o tempo passa, passa, passa e passa mais um tanto. E passa mais, e passa. E o tic-tac do relógio da vida te fazendo companhia.
Seguinte: vai lá e faz. Vai lá e viaja. Vai lá e ama. vai lá e presta o tal concurso. Vai lá e começa a academia. Vai lá e compra a tal da blusa. Vai lá e ama. Vai lá e quebra a cara e começa de novo. Vai lá e mergulha. Vai lá e ressurge. Vai lá e ama.
Se o tempo das coisas não é o tempo do homem, provoque os acontecimentos.
Tudo flui rápido demais e pode te acontecer uma cama de hospital no meio das coisas que você ainda não fez.
Aconteça.
Apareça.
Vá ver sua mãe e seus amigos.
Vai conhecer aquele país, nem que seja a prestação.
Case-se com seus desejos e tenha uma lua de mel constante.

Encara a ferrugem dos seus sonhos.

Quem sabe amanhã você acorda sem o gosto amargo do tempo que já foi…

(Adriana Araf)

Não crie um dilúvio dentro de você. E se porventura isso acontecer, separe a saúde e o amor.

Com essas duas espécies, o mundo, que é uma verdadeira arca, vai recomeçar.

Agora, eu ainda continuo achando que você, na verdade, está fazendo tempestade num copo d’água…

(Adriana Araf)

Sou oceano…

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Sou oceano, não praia. Por isso quando vejo o mar tenho a certeza que minha vida vai muito além das suas próprias ondas;  que sou profunda no anseio de ser feliz; que aceito o sal como ingrediente do meu crescimento.
Que posso ser ora como a calma das águas e, outrora, uma espécie incontida de revolta.
Posso refletir períodos de lua minguante e acordar com crianças brincando em minha volta com conchas.
Que posso me deixar navegar.
Que posso me renovar a cada momento e ser saudável numa longa extensão.
Como ventania, posso nada aceitar; como brisa, posso conviver. Cinza, não combino com nada. Azul, serenidade dentro de mim.
Sou um entardecer, fui embora e voltei.
 Sou amanhecer, voltei para ir depois de outra chuva. Tempestades, não quero, mas desejo corais presos a meus vestidos.
Sou oceano, com vida finita dentro da infinitude de emoções que me são possíveis…
(Adriana Araf)

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