Há um quê não visto em nossas situações difíceis (porque todo mundo as tem – menores ou maiores). Uma operação invisível que é deflagrada positivamente e faz com que coisas surpreendentes aconteçam e pessoas fascinantes apareçam. E permaneçam.
Agradeço ao invisível que não pode ser tocado, todavia pode ser sentido; que não pode ser explicado, porém é compreendido; que fala com as crianças e acolhe o medo transformando nossa fragilidade em couraça; que nos coloca em pé quando já caídos; que atua com definições dentro de uma serenidade necessária em momentos de dor, sacrifícios e dúvidas. E, como não posso nada ver, apenas sentir, pois sou minúscula diante de tudo, minha gratidão é dirigida a todo o universo.

“Hoje me vejo distante da terra adorada, de onde eu nasci. Tenho saudades da primeira namorada, que não me conhece mais; do portão da minha casa, onde eu me pendurava com preguiça de abrir. Minha mãe, envelhecida, ainda junta as mãos calejadas e pede a Deus que me proteja, que eu vá na igreja e que eu sempre fique em paz. O meu rosto, já marcado, ainda guarda os traços do meu pai. O tempo passou, mas não para as minhas saudades”.

Três frases que podem ser modificadas para melhor:

a) “tem que ser assim” para “pode ser assim”;

b) “fazer o quê?” para “fazer com que”;

c) “o tempo passa” para “aproveitar o tempo que passa”.

E não colocar o “né?” ao final delas ajuda ainda mais, pois não exige do outro a concordância automática. Alterações simples. Resultados fantásticos. Modifica…

(Adriana Araf)

Agradece…

Onde você está é ruim e não te agrada? Com quem você está não é bom, não te preenche? Onde você trabalha não te realiza e você queria estar fazendo outra coisa? Quantas insatisfações, em? Silencia. Agradece. Toca suas pernas saudáveis e saiba que, correndo risco de morte, você daria tudo para estar nos locais em que está e com quem você está. Detalhe: querendo viver mais a vida que hoje tanto te frustra…

 

Mulheres se vestem de estações…

Mulheres se vestem de estações… E no verão, colocam biquinis, expondo seus corpos ao sol quente, refletindo luzes por onde passam; E no outono, vestem chuvas, capas, molham as pontas dos cabelos, tropeçam nas poças com seus saltos;
E no inverno, pisoteam com suas botas, marcham charmosas em suas lutas. Capas, sombras cinzas, ar de secreto, segredo.  Echarps le vent. Olhares baixados como se dissessem “Me descubram aqui”. E na primavera, vestidos florais, bolsas laranjas, brincos de argola. Cabelos com presilhas de folhas. Assim, ajeitadas com blusinhas cheias de fitas, aguardando a chegada do batom. Sandálias amarradas em tornozelos, pés de fora.  A moda é perfumar. Mulheres se vestem como as estações e nas estações revelam mais do que o tempo que passa…
E perguntado aos homens apaixonados qual seria a melhor delas, eles afirmaram: a troca das estações…
(Adriana Araf)

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