“Durante um bom tempo eu fiquei deitada numa cama de hospital com três paisagens exclusivas:
OU olhava para o teto, imaginando que depois daquela grossa camada de cimento estava um sol maravilhoso me esperando;
OU olhava para a porta esperando boas notícias;
OU olhava para os meus pés, com a certeza que em breve eles iriam me levar a lugares lindos.
Hoje isso aconteceu: meus pés me levaram a uma cachoeira linda, onde pude sentir o frio da água e a imensidão da natureza.
Dois beija-flores me fizeram companhia. Domingo completo, portanto.
Confie na força dos seus passos e onde seus pés te levam.
Todo ser humano tem uma caminhada longa, independentemente do tempo que ela possa vir a durar…”

A real idade de nossas vidas

Desde que tive uma morte súbita e “ressuscitei” com novo sopro, tenho ouvido muito a rase “Nossa, como te aconteceu tudo isso? Você é tão nova!”. E aí passei a refletir sobre a real idade das nossas vidas (o que se distingue muito da soma das palavras real + idade = realidade) e sobre a idade dos nossos corpos e almas. Cada pedacinho de nós tem uma idade. Hoje, depois de tantos dias de internação, consegui usar os meus dois braços para tomar banho sozinha. Que sensação maravilhosa. E, ouvi, ao fundo, a voz da minha avó sorrindo e dizendo “Olha, já está virando mocinha, já sabe tomar banho sozinha”.

Ou seja, aos 40 e poucos anos vem aquela suave cena que se passou tão longe e se mostra tão perto. Tomar banho sozinha aos 40 em poucos pode ser um privilégio. Quantos anos têm seus pés? Estão calejados da caminhada, são pequenos demais ainda para você dar um pontapé naquilo que não te serve ou já conseguem dar passos maduros em prol de sua trilha pessoal? Quantos anos têm as suas mãos? Analise a idade delas pelos afagos que você fez e não pelas lutas que você travou. Quanto mais carinho, mais memórias elas terão.

Meu corpo agora, com esse marca-passo aos quarenta e poucos, me mantém respirando. Respiro “com” aparelho e estou em fase de graças por não respirar “por” aparelho. (mais…)

Gato Bigode

Há tempos encontrei este gato na Asa Norte, em Brasília. Assim: sem comida, miando de dor e magro. Não que eu pegue animais na rua e vá levando pra casa. Mas, este sim. Pronto. Peguei.

Ele hoje está lindo e teve um filho. A cara dele.

Não há nada que o amor não transforme…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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