Aprender a ceder para sobreviver

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“Aos sonhos, como aos pesadelos, chega sempre a hora da gente acordar. É essencial compreender a realidade, viver de olhos abertos, acolher a simplicidade da vida antes de querer resolver a complexidade do mundo.

Cada um de nós tem o seu lugar no mundo, mas talvez a ninguém caiba o do centro. Nas nossas relações com o mundo, com os outros e conosco, é mais sábio aceitar do que impor, admirar do que exibir, amar do que procurar ser amado.

Viver é aprender a ceder. Assim, alibertarmo-nos de nós mesmos. Só o nosso espírito nos pode soltar porque só ele nos aprisiona.

Ser autenticamente feliz depende de uma transformação na forma de olharmos o mundo, aceitando-o sem grandes condições e agindo sem precipitações. Há que abrir espaços em nós para que a serenidade que assim se alcança convide a felicidade a fazer do nosso espírito morada sua.

A humildade e a simplicidade são formas de ser, não de parecer ser.

Um erro comum é querer ser tudo já. Nunca nada chega ou basta. E são tantas vezes as saudades a revelarem-nos o verdadeiro valor dos instantes vividos mas já passados.

As pressas atropelam o tempo. Importa não cair na tentação de querer ser senhor do próprio futuro e aprender a confiar mais. Cedendo espaço à esperança.

Afinal, quantas vezes uma tragédia, decepção, desilusão ou uma simples despedida, ao invés de serem tristes fins revelam-se, depois, como os pontos de partida das nossas maiores aventuras?”

José Luís Nunes Martins, em Filosofias – 79 Reflexões

Livros pra que te quero

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“Um dia alguém disse “É boa a companhia dos livros, pois eles não têm boca“. Pobre frase esvaziada de quem precisa do som das palavras para entendê-las. O livro, quando não entra em nossa alma, ele fala conosco diretamente por lábios imaginários, dialogando cenas, incutindo novos olhares, seduzindo nosso espaço vazio para enchê-lo de conteúdo, atraindo coisas novas, moldando nossas escolhas, abrindo novos horizontes. Os livros têm essa capacidade de incitar todos os sentidos, estimulando-nos a ser melhores, mais perspicazes, mais altos, mais cheios, mais ávidos. Entre o abrir e um fechar de um livro, uma vida acontece. Saímos transformados pela magia das palavras, embevecidos pelo novo, saudados pelo conhecimento que anteriormente não tínhamos. Nas palavras de Quintana, o livro é essa dupla delícia de estarmos sós e ao mesmo tempo acompanhados. Cada livro, na essência, é uma reinauguração de quem lê.”

(Adriana Araf)

Sete Bons Benefícios da Leitura

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A leitura influencia sua vida e sua mente de muitas formas. Além disso, em um plano fisiológico, foi comprovado que quem lê ativamente é capaz de aumentar a conectividade de seus neurônios.  Enquanto isso, no plano emocional, demonstrou-se que ao ler – principalmente ficção – aumentamos a nossa capacidade de simular o estado mental dos outros e podemos sentir mais empatia e compreensão pelos demais.

Também:

– A leitura permite que você viva novas experiências. Como? É bem simples, especialmente a literatura de ficção tem um grande efeito emocional no leitor, pois ele é capaz de sentir emoções que talvez demoraria décadas para descobrir, e isso ajuda a sentir empatia pelos personagens com os quais o leitor vai se identificando ao longo da narração.

–  A literatura é, em si, uma grande simulação da realidade. É como uma máquina do tempo que nos leva de encontro a diferentes situações e épocas, com suas características e personagens particulares.

Isso nos ajuda a sermos mais amáveis com os demais, pois nos ensina a ver o mundo da perspectiva dos outros, e nos ajuda a ter em conta as consequências dos nossos atos para com os demais. Também nos demonstra a simplicidade de virtudes como a amabilidade, a generosidade e a simpatia.

– A boa literatura sempre esteve em oposição aos sistemas de valores hegemônicos, estes que só priorizam a busca por dinheiro e poder. Os escritores se alinham à margem oposta dessa concepção de mundo. Eles nos ajudam a simpatizar com as ideias e os sentimentos que se contrapõem ao cinismo e à hipocrisia do mundo.

–  A literatura é uma cura para a solidão. E bons livros podemos encontrar personagens com os quais podemos nos identificar e, com eles, descobrimos todo o mundo que vai sendo descrito ao longo da narração. Quando o livro é interessante, atrai toda a nossa atenção e a solidão simplesmente desaparece, porque o livro vai se tornando nosso melhor amigo e companheiro.

– Os escritores nos ajudam a abrir nosso coração e nossa mente porque dão as ferramentas para nos livrarmos da paranoia e da sensação de perseguição que, muitas vezes, nos invadem.

– A leitura é um bom hábito para todos, porque os benefícios são os mesmos independentemente da idade ou da condição do leitor. É claro que cada idade tem suas próprias preferências e necessidades, mas os resultados são iguais para todos.

A leitura como um elixir que existe para nos ajudar a viver com um pouco mais de sabedoria e bondade, por isso não importa quando ou onde, se você tem a oportunidade de ler um bom livro, não desperdice …

Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br/7-beneficios-leitura/

Desejos para sua vida…

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Eu te desejo não parar tão cedo
Pois toda idade tem prazer e medo.
E com os que erram feio e bastante,
Que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero.

Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar.

Eu te desejo, muitos amigos,
Mas que em um você possa confiar
E que tenha até inimigos
Pra você não deixar de duvidar

Eu desejo que você ganhe dinheiro
Pois é preciso viver também.
E que você diga a ele, pelo menos uma vez,
Quem é mesmo dono de quem.

(Frejat)

Augustus Agosto

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E chega Agosto, mês 08, mês meio. Sextil. Mês do advogado, do estudante, do folclore. Nele, o Dia dos Pais, a figura essencial. Mês do esforço extra… há ainda tanta subida. Mês dos reinícios escolares, da seca intensa e da espera por chuva e flores. Mês que anuncia outros tantos. Mês do mau agouro para alguns e mês de lidas para muitos. Mês bonito como tantos outros. Mês do inverno indo embora. Mês de mais. A teu gosto.

(Adriana Araf)

Para atravessar Agosto

“Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros angúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas — coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.”

Caio Fernando Abreu

 


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