Em paz

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“Daquele dia em diante, ela não mais se veria como uma mulher forte, capaz de suportar todas as adversidades. Estava cansada daquilo tudo e de forçar suas desgastadas energias. Ela apenas incorporaria em si e em suas atitudes o chamado “instinto de sobrevivência“, aquele princípio natural que todo ser vivo parece trazer em si e em sua conjuntura. Desde a raiz que busca água no mais profundo da terra, até os permanentes anticorpos que bloqueiam ações contrárias e ataques de todos os tipos. Ela, assim, estaria desarmada, mais leve,  mais em paz consigo mesmo. Deixaria palavras duras de lado, dores e medos, e adotaria o deixar passar como um processo da vida. Sairia caminhando por aí mais para se dar chances de renovação do que propriamente para aprender técnicas de defesa da crueldade do mundo. Não adotaria posturas alienadas, mas, de certa forma, evitaria rompantes e tentativas frustradas de conversões. Daria adeus àquelas auto-exigências. Atenderia mais a sua alma do que aos espíritos alheios. E remodelaria seus gostos e atitudes tomando como base os seus gostares e as suas alegrias. Deixaria de consultar os outros e a observar o que o seu coração dizia.”

(Adriana Araf)

Caminhar

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“O que é a beleza da vida, senão caminhar. E continuar. E andar pra frente. E ver luz. E buscar novos sentidos, novas sensações, novos aprimoramentos para se evitar falhas consecutivas sobre comportamentos repetitivos incidentes sobre situações um tanto quanto similares. Caminhar faz bem. Impulsiona o corpo, impulsiona a alma. Faz trocas amplas e necessárias. Permuta-se o que não mais serve por coisas que poderão servir. Numa única direção, mantida a postura, não há como escapar para os lados. O movimento mais adequado é manter o olhar para o que está sendo e poderá ser, admitindo-se intempéries e festejando as calmarias. Cuidar para que a poeira levantada não atrapalhe os passos e se convencer das forças dos pés. Não olhar para o que foi como foi e nem lamentar o que foi com um poderia ter sido.”

(Adriana Araf)

07 dias

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“Me dei 07 dias para esquecê-la. Sete. Desde o nascer do sol ao seu pôr. Desde a comida que irei comer sozinho até a paisagem que já vejo na janela e não tenho como mais lhe mostrar. Por que 07 dias? Número mágico, uma semana, um domingo ao outro, frase harmoniosa. Há tantos roteiros de viagem que duram isso e a pessoa sai feliz. Não sei direito. Não sei quase nada sobre apagar uma vida dentro de um período tão curto. Serão 07 dias negando lembranças, acordos, discussões e presença. Vou arrumar a casa, cuidar do cão, me entupir de filmes e ler algo nalgum lugar. Vou apagar memórias. Vou fingir, navegar em faz de conta, não vou me culpar, não vou beber e nem celebrar. Ao final, direi: “um milagre me aconteceu!”.

(Adriana Araf)

É preciso não esquecer nada

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“É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes,
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos
a idéia de recompensas e de glórias.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos
vigiados pelos próprios olhos tão
severos conosco, pois o resto de fato não nos pertence.”
 

(Cecília Meireles)

Belos trechos

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“É difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles, porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são realmente boas de coração.”

O Diário de Anne Frank (Anne Frank)

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.”

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, cons­truídas à margem de um rio de águas diá­fanas que se precipitavam por um lei­to de pedras polidas, brancas e enor­mes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.

Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez)

Matar não quer dizer a gente pegar revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.”

Meu Pé de Laranja Lima (José Mauro de Vasconcelos)

O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: ‘Muito prazer em conhecê-lo’ para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo.”

O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger)

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.”

O Encontro Marcado (Fernando Sabino)

“Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas.”

Demian (Hermann Hesse)

Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice.”

On The Road (Jack Kerouac)


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