Outonizar…

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“Era difícil dizer quando chegara ao certo o Inverno. Primeiro, ocorreu um arrefecimento das temperaturas noturnas. Depois, chegaram os dias de chuva ininterrupta, as rajadas desordenadas do vento atlântico, a umidade, o cair das folhas e a mudança das horas nos relógios. Continuavam a verificar-se, em todo caso, tréguas esporádicas, manhãs de céu limpo e luminoso, que permitiam que se saísse de casa sem agasalhos. Mas tratava-se de qualquer coisa como os sintomas enganadores da remissão de um paciente sentenciado à morte. O parque vizinho se transformou numa superfície desolada de lama e de água, iluminada apenas pelo clarão riscado da chuva nos postes públicos. Certa noite, quando o atravessava debaixo de um aguaceiro, veio-me à memória um dia de calor intenso do Verão anterior que, deitado no chão, tirara os sapatos e acariciara a relva com os pés descalços, enquanto o contato direto com a terra me trazia uma impressão de liberdade, fazendo-me sentir tão em casa no mundo como se estivesse em meu quarto.”

(Alain de Botton, A Arte de Viajar, 6ª. edição)

Ana Be’Koach

 

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Homocromia

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“Perdemos a capacidade de enxergar os detalhes. Isso é fato. Enxergamos com pressa extrema os fatos, os movimentos nas ruas, os clamores. O nosso olhar não mais sente o perfume das coisas. A singularidade delas. Perdemos a capacidade de acreditar. Precisamos de papéis, reconhecimentos de firmas. Tudo tem que ser em dinheiro, até o que não se compra. Precisamos de checagens. Perdemos a capacidade de simplesmente conviver com o outro, com o outrem, com o próximo. Estamos fartos da convivência familiar que requer paciência, da missão da divisão e da resiliência ambiental. Fraquejamos na simples arte de escutar. Estamos pobres no exercício do amor ampliado. Estamos esgotados de frustrações, do não realizado. Estamos vivendo açoitados numa sociedade fustigada e vencidos por tantas informações sem conteúdo e direção. Encontramo-nos vazios, transferindo para a vida as culpas de como a levamos. Estamos julgando rápido demais. Sem identidade, adotamos um mimetismo permanente. Estamos rasos em nossas profundidades.”

(Adriana Araf)

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“Vida diferente não quer dizer vida pior nem melhor; é outra coisa. A certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta; e, de memória, conservo alguma recordação. Em verdade, pouco apareço e menos falo. Distrações são raras. O mais do tempo é gasto em hortar, jardinar e ler; como bem e não durmo mal.”

(Machado de Assis)

 

Uma bela e rara história humana

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Conheci a história surpreendente de um homem com alto valor. RENILDO, 35 anos, morador de São Paulo. Alguém que tem muito a ensinar, muito a estimular e um papel ímpar nesse mundo. Muito comovente tudo, confesso que fiquei tocada e talvez um dia procure conhecê-lo de perto para apertar as suas mãos e lhe dizer “Muito obrigado por me fazer melhor.”

Da leitura da história de vida de RENILDO, soube que, quando criança (tinha apenas 12 anos), ainda menino levou um tiro ao tentar pegar sua pipa no telhado de alguém que sequer se lembrou que um dia foi criança também. Ficou paraplégico. Com o passar dos anos, diante de tanta luta para viver, feridas pelo seu corpo geraram infecções e, sucessivamente, um câncer apareceu. Chegando aos órgãos vitais, com 15% de chance de sobreviver à cirurgia, os médicos e RENILDO decidiram por uma amputação significativa . Do umbigo para baixo, 40% de corpo foi sacrificado para que sua vida fosse preservada (pernas e bacia), ocorrendo a chamada hemicorporectemia. Esteve e continua numa batalha grande.  Atualmente testa uma prótese inédita e rara no Brasil, ao que vou pedir ao mais sagrado para que sua adaptação seja instantânea e traga para ele a mobilidade desejada. Sim, RENILDO quer voltar a trabalhar e fazer suas festas, pois é DJ. Isso também me tocou.

Na sensível reportagem feita pelo jornalista Jairo Marques, da Folha de São Paulo, RENILDO diz que está pequeno e que a prótese pode ajudá-lo a retornar ao ofício de alegrar os outros. Essa frase me fez refletir de novo. Para mim, RENILDO é tão grande que ainda vai entender o tamanho da sua força. Um exemplo. Maravilhou-me.

Para saber mais desse bravo homem http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/03/1865747-dj-passa-por-cirurgia-rara-retira-40-do-corpo-e-ja-testa-reabilitacao-inedita.shtml


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