A Intuição é mais forte que a Razão

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“Devemos sempre dominar a nossa impressão perante o que é presente e intuitivo. Tal impressão, comparada ao mero pensamento e ao mero conhecimento, é incomparavelmente mais forte; não devido à sua matéria e ao seu conteúdo, amiúde bastante limitados, mas à sua forma, ou seja, à sua clareza e ao seu imediatismo, que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os seus propósitos. Pois o que é presente e intuitivo, enquanto facilmente apreensível pelo olhar, faz efeito sempre de um só golpe e com todo o seu vigor.
Ao contrário, pensamentos e razões requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, não se pode tê-los a todo o momento e integralmente diante de nós. Em virtude disso, deve-se notar que a visão de uma coisa agradável, à qual renunciamos pela ponderação, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um juízo cuja inteira incompetência conhecemos; somos irritados por uma ofensa de caráter reconhecidamente desprezível; e, do mesmo modo, dez razões contra a existência de um perigo caem por terra perante a falsa aparência da sua presença real, e assim por diante.
Em tudo se faz valer a irracionalidade originária do nosso ser.”

(Arthur Schopenhauer)

 

Uma reflexão

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“As urgências da vida cada vez ficam menos urgentes à medida que o tempo passa. Não se tem mais aquela inconstante vontade de que tudo aconteça ao mesmo tempo, aquele desejo por enxurradas de coisas para serem contadas a torrentes de pessoas. Aliás, não há mais alúvios. A simplicidade vai sendo apreciada cada vez mais com menos acúmulos. E vem uma certeza nobre de que não se precisa de muito. O muito se torna uma estafante carga. Vai-se vivendo e vai-se encurtando as aquisições materiais para que o espaço seja ocupado pelo imaterial, o não visto, para os reais e verdadeiros sustentáculos das almas humanas. Amor, amizade, generosidade, gratidão. Isso tudo ressignificado. Colocamos mais em prática o elevado, contudo sem mutações bruscas, as quais,  na verdade, ocorrem magicamente e de uma forma muito sutil. Quando se percebe, passamos a avaliar as esferas com um “isso tem importância” e outro um “isso não te importância“. Catalogamos quase tudo nessas duas alternativas. Para o que se dá, dedicamos os nossos dias mais claros. Para o que não tem, simplesmente deixamos ir, passar, seguir o rumo. Com o passar do tempo, os dias se tornam mais valorosos, as horas mais bem aproveitadas e o corpo procura descansos em coisas bem mais sublimes.”

Quisera

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“Quisera você me querer como eu te quero. Seria tão mais descomplicado. Eu colocaria sorrisos em seu rosto ao me ver passar, ficaria feliz a uma simples notícia sua, teria dias mais calmos e noites menos insones. Aliás, não trocaria o dia pela noite e nem viraria um escravo de pequenos objetos que reproduzem acenos e vozes. Tomaria chás longos contigo, teria um coração aquecido por sensações inconfundíveis. Pararia o tempo quando um beijo me fosse roubado e sairia por aí mais satisfeito por ser amado nessa arduosidade que é viver a vida à espera que algo aconteça para te trazer de volta. Seria mais sensato. Mais esperançoso. Mais amplo. Penso que haja algo de enlouquecedor entre o que eu quero, entre o que existe e o que não acontece. O pior talvez esteja reservado ao que não acontece, pois o que eu quero de certa forma me nutre, conquanto desejar abastece a vida; o que já existe é uma ardilosa realidade irrigada com insatisfações e incômodos transformados em sorrisos parcos e desenergizados. Ah, mas o que não acontece, isso sim me encabula, me desgosta. Eu sofro mansidões de expectativas. Quisera você acontecer como eu quero que aconteça. Seria tão mais fácil.”

(Adriana Araf)

Tratar-se bem

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“Tratar-se bem é algo tão necessário e supremo como vital. Finitude da vida, tempo que corre sem tréguas, perdas, ganhos. Guarde seus ouvidos de informações maléficas, proteja seu coração de sensações contrárias trazidas por pessoas vazias e fúteis, ame sua alma como um fio dourado que te liga a Deus e a conserve intacta em orações de prosperidade. Mantenha-se perto de seus amores e cultive os sabores da vida. Se alguém não te quer, queria a si mesmo antes de mendigar atenção e gentilezas. Coma bem e durma igualmente bem. Traga amigos ao alcance de suas mãos e estique-as para receber o calor verdadeiro dos bons sentimentos. Cultive a presença de sua mãe em sua vida e estenda a vida desse ser único com gestos de agradecimentos por ela ter sido o canal de luz que te trouxe ao mundo. Ame o seu pai. Ame os seus filhos. Ame o coletivo e tenha sensibilidade para com os animais e plantas. Transborde-se de bons pensamentos e atenda ao Universo quando chamados lhe forem assoprados para trilhares caminhos diferentes. Organize-se e lhe conceda bem-estar. Seja autêntico e reúna paz para suas horas e dias. Se viver é um desafio, tratar-se bem é se munir de força interior para encarar a indecifrável beleza de seguir em frente”.

(Adriana Araf)

Aprenda com a natureza

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“Resplandece o Sol no alto, a fim de auxiliar a todos, distribuindo raios de vida, após uma longa noite sem fim. 

As estrelas agrupam-se em harmonia, cada qual cumprindo o seu papel e respeitando os espaços e seus tamanhos. 

O céu tem horários para a luz e para a sombra.

O vegetal abandona a cova escura, embora continue ligado ao solo, buscando a claridade, a fim de produzir outra forma de vida, em subida. 

O ramo que sobrevive à tempestade, cede à passagem dela, mantendo-se, não obstante, no lugar que lhe é próprio. Terminada, ele aproveita sua sobrevida e passa a viver novamente adaptando-se ao novo formato do solo. 

A rocha garante a vida no vale, por resignar-se à solidão. Quieta, mantem-se firme e forte. 

O rio atinge os seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos e desembocar no oceano, destino final das águas. 

A flor cai e vira adubo fértil para os pés daquele que a trouxe ao mundo. Mesmo destino tem as folhas depois de respirar o mundo. 

A ponte serve ao público sem exceções, por afirmar-se contra o extremismo. Une o começo e o fim. 

O ferro serve ao ferreiro, após suportar o clima do fogo.

A pedra brilha, depois de sofrer as limas do lapidário.

A semeadura rende sempre, de acordo com os propósitos do semeador.”

(André Luiz/ Chico Xavier)

 


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