Doces palavras

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Não foi nada. Está tudo bem. Já passou. Foi melhor assim. Sim, eu acredito. Tinha que acontecer. O passado ficou para trás. O presente é o que interessa. O futuro é preocupação tola. Eu fiz o meu melhor. Eu fiz a minha parte. Eu não tive culpa. Foi perdoado. Superei. Tenho paciência. Cortado o pior. O tempo cuida. O melhor está reservado. Chegou a hora. Abriu espaço. São tantas as frases ditas pelas nossas bocas para que nossos ouvidos ouçam e nosso coração se convença do oposto vivido que, se ecoadas, nos trazem a doce ilusão de estarmos em uma realidade melhor daquela experimentada. Elas, mesmo em pronúncia murcha, evitam saldos ruinosos à alma e, na melhor das hipóteses, nos impulsionam para novos rumos.”

Adriana Araf

Presença eterna

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Há pessoas que vão e vêm. Há pessoas que vêm e vão. Há pessoas que não vão, apesar de terem ido e ficam dentro de nós em qualquer situação. Essas são as encantadas, nas palavras de Guimarães Rosa, que tomam para si essa eterna condição, porque quando estavam nos eram simplesmente encantadoras.

(Adriana Araf)

Uma sutil reflexão

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Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(Chaplin, discurso em O Grande Ditador, 1940)

Assim

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Para o coração, a vida é simples: bate enquanto pode. Depois pára.

(A Morte do Pai, de Karl Ove Knausgård)

Sobre despedidas

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“Nenhum adeus é dado com alegria quando a morte o exige. Mesmos nas severas doenças, ele dói. O “virar-se de costas e seguir” no vácuo é ato duro, cortante, comando obedecido pelo corpo sem qualquer consulta à alma que, para aquele momento forçoso de soltura de mãos, refuta-se fora dele. Falta ar, falta presença, falta fala, falta consolo. Sem escoras, falta-nos tudo. Apenas se segue para tornar o ato da despedida cada vez mais longe, cada vez mais fora do alcance das vistas, cada vez mais para se submeter a um processo de atemporal cicatrização que a necessidade faz brotar por cima de buracos profundos. Dá-se um passo de pele nova e tropeça-se dois nas cavidades das lembranças. Por mais que se ouça de muitos “segue, porque a vida é assim“, há um silêncio bruto cinza devastador. E sobram culpas, medos, inseguranças e uma amargura contínua fininha pelo que não se poderá mais viver. Falta rotina, sorrisos, ambientes cheios, presentes, divergências e cadeiras ocupadas. Falta barulho. A morte tem um som próprio. Cria labirintos eternos. É desordem, é tristeza pura, é voz que não chega do lamento que não sai. É uma ausência brutal.”

Adriana Araf


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