Uma passagem da obra

(…) Em suma, o balanço dos créditos e dos débitos estão fadados a fechar de algum modo coerente com o passar do tempo. Mas eu não me importava nem um pouco com isso. Eu não me importava de ter de morrer mais cedo por conta de algum ajuste a ser realizado. As possibilidades devem seguir sua própria lógica, e do jeito que elas bem entenderem. Pelo menos agora posso dizer que estou com a vida ampliada. Isso é maravilhoso. Eu estava reagindo nessa vida expandida. Nesse período que me foi estendido, eu sentia que estava viva. Eu não estava sendo consumida. Ou, ao menos, a parte não consumida podia viver e me fazia sentir viva. Por mais que uma vida seja longa, não vejo sentido em experimentá-la sem a sensação de estar viva. Agora eu via isso com total clareza (…)”

(Haruki Murakami, em Sono, 2015)

Assuntos de mera convivência

“Talvez seja a admiração o sentimento alicerce do amor. Sem ela restará a necessária, porém indigesta, tolerância. Sem o saboroso ingrediente, a vida seguirá normalmente, entretanto a tolerância estará ali, intrépida, fazendo insossa companhia aos casais, segurando seus interesses comuns para que tudo seja milimetricamente preservado. Mas, claro, faltando o tempero da admiração, faltará a graça, a graciosidade, o vigor. O algo mais. Os dias serão curtos no inverno e longos no verão. Vai cair chuva, virão longas tempestades, todos irão à praia e depois às lojas comprar casacos. E a admiração, em posição-chave nos relacionamentos, ficará em segundo plano querendo ocupar o primeiro, agindo silenciosamente dentro de cada um para expulsar a fastidiosa tolerância ou, numa eventualidade quase que descartada, fazer as pazes com ela.”

(Adriana Araf)

Demais…

 

 

Os dias…

“Doura a sua pílula com o desenvolvimento do seu próprio talento. Isso poderá ser feito a partir da tomada de consciência de que tens condições favoráveis de tempo e modo para tal. Muitas vezes vivemos nossos dias com as quatro estações acontecendo ao mesmo tempo e isso requer uma certa adaptação térmica, todavia se prostrar porque o inverno está rigoroso demais é perder uma chance luminosa de apreciar o verão igualmente constante”.

(Adriana Araf)

Definição de partida

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“Só morrem, desaparecem de vez, as pessoas que nunca foram amadas”

(Zélia Gattai, em Città Di Roma)


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