O que perdemos

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Do livro “O que perdemos”, de Zinzi Clemmons, página 112:

“A minha mãe está morta. Mas ainda a vejo. Mas ainda a sinto. Ainda consigo ouvir-lhe a voz até nesse preciso momento em que vos falo. Mas ela está morta. Quando olho para fotografias dela na praia, consigo sentir o sol sobre sua pele. Consigo ouvir como me falava. Mas ela partiu. Consigo sonhá-la e ouvir-lhe o choro. Conta-me o que aconteceu naquele dia e chora comigo. Pede que eu não tenha medo. Mas está morta. Uma parte dela permanece viva em mim. Mas ela partiu. Viverá eternamente no Céu. Mas não está mais na terra. Partes dela continuarão nas árvores, nos riachos e nos pássaros de amanhã. Ela é a água, as plantas e poeiras que vejo rodopiar nas colunas de luz. Se olhar demoradamente uma flor, consigo ver o rosto dela. Mas ela não está aqui”.

 

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