Longe dos aranzéis

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(…) Sempre que eu leio: fulano sumiu, sicrano nunca mais deu as caras, eu penso “deve estar cuidando da própria vida ou, ainda, na melhor das hipóteses, buscando um eu longínquo que demora encontrar”. A recomendação é pura e simples para casos puros e simplórios como esses: deixe o outro em paz e não o atormente com sua curiosidade incensante. Trate de se perguntar se não quer sumir também como fez quem saiu de cena. O sumir não significa um sumir genuinamente traduzido. É uma prerrogativa maravilhosa concedida a quem a exerce com poderio e consciência, se isso, claro, não der prejuízo material a ninguém e nem for advindo de doença latente. É uma atitude própria, curial de quem crê ser o anonimato uma fonte de energia a alimentar a alma. Esses seres desvinculados não gostam de notabilidade, nem de redes, nem de tramas, nem de aramados ou teias. Entre os direitos de ir e vir, gostam de exercer o de sumir, de evolarem-se. Foram tantas que vieram que agora, no cenário amplo das mais abrangentes formas de exposições, apenas desejam ficar longe das arengas e dos aranzéis (…)

(Adriana Araf)

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