Homocromia

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“Perdemos a capacidade de enxergar os detalhes. Isso é fato. Enxergamos com pressa extrema os fatos, os movimentos nas ruas, os clamores. O nosso olhar não mais sente o perfume das coisas. A singularidade delas. Perdemos a capacidade de acreditar. Precisamos de papéis, reconhecimentos de firmas. Tudo tem que ser em dinheiro, até o que não se compra. Precisamos de checagens. Perdemos a capacidade de simplesmente conviver com o outro, com o outrem, com o próximo. Estamos fartos da convivência familiar que requer paciência, da missão da divisão e da resiliência ambiental. Fraquejamos na simples arte de escutar. Estamos pobres no exercício do amor ampliado. Estamos esgotados de frustrações, do não realizado. Estamos vivendo açoitados numa sociedade fustigada e vencidos por tantas informações sem conteúdo e direção. Encontramo-nos vazios, transferindo para a vida as culpas de como a levamos. Estamos julgando rápido demais. Sem identidade, adotamos um mimetismo permanente. Estamos rasos em nossas profundidades.”

(Adriana Araf)

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