Desencontro

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(…) Disse-me algo de cruel sem saber o quanto me custaria ouvir palavras tão duras e tão fincantes. A ardência da sua impiedade foi imediata em mim. O certo seria sair de fininho sem ser notada, mas ficava ali, em pé, sendo apedrejada verbalmente sem nenhuma reação que exaltasse uma coragem instantânea ou revelasse uma legítima defesa em prol de minha autoestima. Passado algum tempo, minha confiança havia se tornado um líquido salgado vertido de meus olhos e o veredicto havia sido proferido pela sua peculiar forma de execução: eu não servia mais para nada. Descrita como detentora dos piores defeitos, nada sobrara. Saí depois do julgamento. Embora auto-absolvida para viver meus dias, estava sem forças, sem nortes, sem rumo. O mundo é tão grande, pensei rapidamente comigo enquanto caminhava em direção ao nada. A grandeza do mundo era a única coisa que me ocorria. Sem dúvida, um senhor argumento para me convencer da vida pequena que eu levava (…)

Adriana Araf

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