Da recente obra…

um trecho delicado, superlativo e interessante:

“Mal nos falamos por meses. Nem conseguíamos nos tocar. Parte disso era exaustão, mas também estávamos envergonhados de nosso fracasso mútuo, da sensação de injustiça, mas ao mesmo tempo inabalável de que nós dois poderíamos ter feito mais, de que o outro não se entregara como a situação exigia. Fico surpreso de ver como paramos de nos falar completamente. Não nos falamos por muito anos. Não por mágoa, mas por qualquer outra coisa. E então, um dia, ela me telefonou. Ela estava na cidade para uma conferência e me convidou para almoçar. Foi esquisito. Uma sensação ao mesmo tempo estranha e familiar ouvir novamente aquela voz com que eu tivera milhares de conversas sobre coisas importantes e também banais (…). Às vezes eu achava que havia algo não físico nos conectando, uma longa corda que esticava…quando ela puxava sua ponta, eu sentia a minha. Onde quer que ela fosse, onde quer que eu fosse, haveria sempre aquela corda iluminada e retorcida que esticava e puxava, mas nunca se rompia. E a cada momento que fazíamos nos lembrava do que nunca mais teríamos”. 

(Uma vida pequena, de Hanya Yanagihara)

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