Como é difícil prever o futuro

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“É do escritor português Miguel Torga a frase dita por tantos de diversas formas “Como é difícil prever o futuro”. Na infância, o futuro pouco importa. O futuro não passa de um Natal que trará presentes e parentes numa cena familiar. Na adolescência, um não ao futuro, pois basta viver intensamente o presente com a autoridade ainda pueril de que se pode tudo, ainda que apenas por um lapso exíguo de tempo. Com a juventude, o amor, a profissão e os sonhos empacotados numa linda névoa de energia e vontades maior do que as frustrações. Na fase adulta, o mandamento dito, repetido, esculpido e não muito praticado “o futuro a Deus pertence”. Na velhice, ou ele representa quase tudo o que se fez ou representa a amargura do que deixou de ser feito. Na boca da vizinha que insiste em morar na janela da vida dos outros, o decreto mordaz: “Fulano não tem futuro”. Ah, ciganas, me digam onde mora a felicidade enquanto eu tiver tempo, enquanto eu queira desembrulhá-la como presente, enquanto há energia sem nostalgias, enquanto a vizinha não tenha me reparado, enquanto a minha janela esteja aberta para a minha vida à espera da mais linda paisagem.”

(Adriana Araf)

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