As cartas

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(…) Ela ali, pintada de batom carmim e olhar firme, espalhava com muita habilidade algumas carta, que teriam mensagens futuras. Fixara em 15 minutos a consulta. A pergunta dela, de cara, foi a mais abrangente possível “O que você quer saber?”. No fundo, adoramos saber da vida dos outros e pouco sabemos das nossas. Eu, estática, parecia não esperar muito, não acreditar muito. As cartomantes sabem que há temas comuns a todos os consulentes. É o amor mal resolvido, o dinheiro esticado, viagens não feitas, a traição de um pseudo amigo, o negócio lucrativo desejado que está por vir. O lado de lá mantido em segredo, sujeito a muitas suposições. Aberto o pano verde com símbolos bordados à mão, espalhadas cartas desgastadas pelo manuseio, eu, ali, apenas com uma pergunta em polifonia: “A felicidade chega quando?”. Inocente quesito ainda mantido dentro de mim, certamente sem resposta profética. Na verdade, a cena se resumiria a um questionamento básico da vida humana delegado àquela senhora responder o que igualmente desejava saber: “quando seremos felizes? (…)”.

Adriana Araf

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