A Solidão Refrescante

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Normalmente vemos a solidão como um inimigo. Ela é inquieta, fértil e ardente pelo desejo de escapar e encontrar alguma coisa ou alguém.Quando conseguimos repousar no caminho do meio, começamos a ter um relacionamento não ameaçador com ela”Não há ponto de referência no caminho do meio.Quando não escolhemos uma direção, temos a sensação de estar em uma clínica de desintoxicação.Sentimos a angústia da abstinência, com toda a irritação que temos tentado evitar por meio de nosso padrão habitual.No entanto, anos e anos de virar para um lado ou para o outro, de escolher sim ou não, de dizer certo ou errado nunca mudaram, de fato, coisa alguma.Lutar por segurança nunca trouxe nada, além de alegria momentânea.Esse processo (doloroso de sair do aprisionamento para a liberdade) exige enorme coragem, pois queremos viver felizes para sempre.

NOSSO DIREITO INATO: O CAMINHO DO MEIO

Não apenas buscamos uma solução – achamos que a merecemos e sofremos por causa dela. Não desejamos sentar e experimentar o que estamos sentindo. Não queremos passar pela desintoxicação.

Mas é exatamente isso que o caminho do meio nos encoraja a fazer.

Existem seis atitudes para descrever esse tipo de solidão refrescante: desejar menos, contentar-se, evitar a atividade desnecessária, ter total disciplina, não vagar pelo mundo do desejo e não buscar segurança no mundo dos pensamentos discursivos.

DESEJAR MENOS

Desejar menos é a disposição para estar solitário sem buscar uma solução, quando tudo em nós anseia por algo que nos anime e mude nosso estado de espírito. Assim, o Caminho Do Guerreiro consiste em, diante da intensa solidão, conseguir sentar com essa inquietação enquanto que, no dia anterior, era impossível estar com ela durante um único segundo.

Esse é o caminho da coragem. Quanto menos nos dispersamos e enlouquecemos, mais saboreamos a satisfação da solidão refrescante.

CONTENTAMENTO

Contentar-se é o segundo tipo de solidão. Quando não temos nada, não temos nada a perder – a não ser nosso forte condicionamento para achar que temos muito a perder. Essa sensação tem suas raízes no medo – medo da solidão, da mudança, de tudo que não pode ser solucionado, da não existência.

Contentamento é sinônimo de solidão tranquila, de acomodar-se na solidão refrescante.

Desistir de acreditar que somos capazes de fugir de nossa solidão.

Podemos ser simplesmente solitários, sem alternativas, satisfeitos por estarmos exatamente ali, na qualidade e textura do que está acontecendo.

EVITAR ATIVIDADES DESNECESSÁRIAS

Uma maneira de nos mantermos ocupados para não termos de sentir nenhuma dor. Esse processo pode assumir a forma de fantasiar obsessivamente o amor verdadeiro, ou ainda de fugir sozinho para um deserto. Não poderíamos apenas nos aquietar e mostrar algum respeito e compaixão diante de nós mesmos?

COMPLETA DISCIPLINA

Outro componente da solidão refrescante é a disciplina total – simplesmente voltar com suavidade para o momento presente. Estamos dispostos a sentar quietospara perceber como as coisas realmente são – isso nos permite finalmente descobrir uma maneira de ser totalmente desconstruída.

NÃO VAGAR PELO MUNDO DO DESEJO

Vagar pelo mundo do desejo envolve procurar alternativas, buscar algo que nos conforte – comida, bebidas, pessoas.

Não vagar pelo mundo do desejo tem a ver com relacionar-se diretamente com as situações, do modo como são.

A solidão não é um problema.

NÃO BUSCAR SEGURANÇA NOS PENSAMENTOS DISCURSIVOS

Na solidão refrescante, não esperamos que nossa tagarelice interior nos traga segurança. Somos encorajados a apenas tocar essa tagarelice e a permitir que se vá e olhar honestamente e sem agressão para nossa própria mente – com humor e compaixão, para aquilo que somos.

Então, a solidão não representa mais ameaça e a melancolia deixa de ser punição.

A solidão refrescante não nos fornece soluções e não nos dá um apoio. Ela nos desafia a entrar em um mundo onde não existe ponto de referência, sem polarizá-lo e sem cristalizá-lo.

Você saberia aproveitar essa oportunidade de ouro, quando acordar pela manhã e, de repente, começar o sofrimento da alienação e solidão? Em vez de se atormentar ou sentir que algo terrivelmente errado está acontecendo, exatamente ali, no momento da tristeza e da saudade, poderia relaxar somente.

Resumo de Vilma Capuano; Trecho do livro “Quando tudo se desfaz” de Pëma Chödrön

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