Desencontro

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(…) Disse-me algo de cruel sem saber o quanto me custaria ouvir palavras tão duras e tão fincantes. A ardência da sua impiedade foi imediata em mim. O certo seria sair de fininho sem ser notada, mas ficava ali, em pé, sendo apedrejada verbalmente sem nenhuma reação que exaltasse uma coragem instantânea ou revelasse uma legítima defesa em prol de minha autoestima. Passado algum tempo, minha confiança havia se tornado um líquido salgado vertido de meus olhos e o veredicto havia sido proferido pela sua peculiar forma de execução: eu não servia mais para nada. Descrita como detentora dos piores defeitos, nada sobrara. Saí depois do julgamento. Embora auto-absolvida para viver meus dias, estava sem forças, sem nortes, sem rumo. O mundo é tão grande, pensei rapidamente comigo enquanto caminhava em direção ao nada. A grandeza do mundo era a única coisa que me ocorria. Sem dúvida, um senhor argumento para me convencer da vida pequena que eu levava (…)

Adriana Araf

É melhor estar em paz ou ter razão?

 

muito lindo

O outono das decisões

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“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “bom dia” quase que sussurrados e suportados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo te impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja ainda vivo, quem quase vive já morreu.

Sarah Westphal

Compromisso pessoal

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“Se você for tentar, tente de verdade. Caso contrário nem comece. Isso pode significar perder tudo. E talvez até sua cabeça. Isso pode significar não comer nada por três ou quatro dias. Isso pode significar congelar-se num banco de praça. Isso pode significar escárnio, isolamento. Isolamento é uma dádiva. Todo o resto é teste da sua resistência. De quanto você realmente quer fazer isso. E você vai fazer isso, enfrentando rejeições das piores espécies. E isso será melhor do que qualquer coisa que você já imaginou. Se você for tentar, tente de verdade. Não há outro sentimento melhor que isso. Você estará sozinho com os deuses. E as noites vão arder em chamas. Você levará sua vida direto para a risada perfeita. Esta é a única briga boa que existe (…)”

Charles Bukowski

Movimentos…

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“Eu não gosto muito de vento, mas quando ele bate em seus cabelos, eu sou capaz de me fascinar pelas ondas frescas que ele causa. Eu não gosto muito de sol, mas quando ele se reflete em você, eu sou capaz de ficar embaixo do escaldante até morrer de insolação. Eu não gosto muito de chuva, mas quando ela cai e você chega sob encharque pedindo abrigo e um chá quente, eu sou capaz de implorar a Zeus que mantenha todo o século molhado. Eu gosto do inverno, porém nele você some. Você é de estações destemperadas. Aí eu fico apartado do mundo, olhando o úmido portão pela janela condensada pedindo que a natureza acelere o tempo das coisas e me traga rápido o que eu não gosto (…)”.

(Adriana Araf)


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