Literatura Japonesa

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Literatura japonesa adorável e de primeira, Yoshida Kenko, Matsuo Basho, Kenzaburo Oe, Murasaki Shibuku, Junichiro Tanizaki, Kawakami Hiromi, Natsume Soseki, Shusako Endo. E o meu preferido disparado, Haruki Murakami (para saber mais http://gq.globo.com/Cultura/noticia/2015/01/nove-motivos-para-ler-haruki-murakami.html)

Agora lendo Kentetsu Takamori, Daiji Akehashi e Kentato Ito e o best-seller Por que vivemos, que traz profundas e belas reflexões sobre o propósito da vida. Que viagem literária! E muito acessível em todos os sentidos…

Eis algumas frases num universo de 318 páginas “A vida de cada um é o tempo que lhe foi concedido. Em que se deve gastar tamanho tesouro? Sem trabalhar, não se come. Sem comer, morremos. No entanto, mesmo comendo, morremos. Neste mundo, em que tudo desmorona, a felicidade que não perece é justamente o desejo comum de todos nós: o propósito de nossas vidas. Descubra o seu.” 

 

A Forma como me Amas, Mãe

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“Há qualquer coisa de Deus na forma como me amas, mãe.
As pessoas não são tão grandes como tu, as pessoas não aguentam tanto a vida como tu. As pessoas choram, as pessoas sofrem, as pessoas passam pela vida à procura da melhor maneira de viver. Mas tu amas-me, mãe. Tu amas-me assim, sem condições, e parece que quando me amas nem sequer existes. Apenas ficas ali, a ver-me existir, e é assim que descobres e me ensinas que a vida se resume a ver quem amas viver.

Há qualquer coisa de impossível na forma como me amas, mãe.
O possível teria de exigir que parasses quando te dói, que parasses quando o mundo, filho da puta do mundo, te obriga a inventares novas maneiras de me dares tudo o que eu preciso. O possível iria dizer-te que não, que uma só pessoa, tão pequena e tão grande como tu, não pode suportar todo o peso de duas vidas. E tu ainda aí estás, tão forte como só tu, tão impossível como só tu, a sorrir quando me vês de caderno na mão a dizer que sou o melhor aluno da turma. É claro que é bom ser bom aluno, mas o meu maior orgulho é ser filho da mãe mais impossível do mundo.

Há qualquer coisa de genial na forma como me amas, mãe.
As pessoas não inventam o tempo como tu, as pessoas não conseguem entender qual é a equação que permite estar sempre onde tem de se estar, as pessoas chegam atrasadas, as pessoas falham a responsabilidades, as pessoas por vezes esquecem-se do que têm de fazer, as pessoas não conseguem fazer com que metade do que precisariam para viver chegue para viverem sem nada lhes faltar. E tu consegues o milagre da multiplicação dos pães e dos corpos, estás no sítio exacto onde te preciso na hora exacta onde te preciso com as palavras exactas de que preciso, a falares-me de como é importante acreditar que sabemos tudo mesmo que seja importante acreditar que não sabemos nada, e eu ouço-te e percebo que o segredo da tua existência é saberes que só o amor derrota a matemática, e que número nenhum está à altura de quando me abraças.

Há qualquer coisa de eu todo na forma como me amas, mãe.
E quando me perguntarem que idade tem a minha mãe direi apenas que para sempre.”

(Pedro Chagas Freitas, em seu Prometo Falhar)

Intervalos

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“Porque só conhece a vida quem já mergulhou nas profundezas. Só um revés confere ao homem sua força impetuosa integral. Principalmente o gênio criador precisa desta solidão temporária forçada para medir, das profundezas do desespero, do exílio distante, o horizonte e a extensão de sua verdadeira missão.

(…)  nada de melhor pode acontecer a uma carreira do que a sua interrupção temporária, pois quem sempre vê o mundo do alto de uma nuvem, do alto da torre de marfim e do poder, só conhece o sorriso dos submissos e a sua perigosa solicitude: quem tem sempre nas mãos o poder esquece o seu verdadeiro valor.

(…) Nada enfraquece mais o artista, o general, o estadista do que o sucesso permanente de acordo com a vontade e o desejo. Só no fracasso o artista conhece a sua verdadeira relação com a obra, só na derrota o general reconhece seus erros e só na desgraça o estadista adquire verdadeira clarividência política.

(…) Uma riqueza constante torna o homem frouxo, aplausos constantes entorpecem, só a interrupção confere nova tensão e elasticidade criadora ao ritmo que se desenrola no vácuo. Só a desgraça abre uma perspectiva profunda e larga da realidade do mundo.

(…) O exílio, por exemplo, é uma dura lição, mas todo exílio significa ensinar e aprender: ele forma a vontade do fraco, torna decidido o indeciso e torna mais rígido ainda quem já é severo. Para o homem verdadeiramente forte, o exílio não reduz, antes aumenta sua força.”

(in Joseph Fouché: Retrato de um Homem Político, Stefan Zweig)

Leitura da hora

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Lendo “Outros Jeitos de Usar a Boca“, da jovem Rupi Kaur. Leitura rápida, fácil. Forte e delicada ao mesmo tempo. Crua.

Linda manifestação na página 179, como todas aquelas das duzentas e muitas.

“Quero pedir desculpas a todas as mulheres que descrevi como bonitas
antes dizer inteligentes ou corajosas. Fico triste por ter falado  como se algo tão simples como aquilo que nasceu com você fosse seu maior orgulho, quando seu espírito já despedaçou montanhas. De agora em diante, vou dizer coisas como: você é forte, você é incrível. Não porque eu não te ache bonita, mas porque você é muito mais do que isso.”

Adeus, Belchior

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“Minha vida parece muito calma,
mas têm segredos que eu não posso revelar
escondidos bem no fundo de minh’alma.
Não transparecem nem sequer em um olhar.
Vivem sempre conversando à sós comigo…
Uma voz eu escuto com fervor
escolheu meu coração pra seu abrigo
e dele fez um roseiral em flor.
A ninguém revelarei os meus segredos
E nem direi quem é o meu amor.”

(Belchior)

 


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